28/05/04

ABENÇOADA TECNOLOGIA!, por Porco&Mundo

Está prestes a ser inaugurado nesta augusta cidade de Coimbra o novo Parque Ribeirinho, construído no âmbito do Programa Polis. Relvados a morrer no rio, passadiços de passeio sobre as águas e uma zona de lazer com bares e esplanadas. Uma espécie de novas Docas de Lisboa. Uma coisa jeitosa, catita, dedo de arquitecto e patoila de designer paisagista, só estragada por um Urso Relvado tamanho gigante, que teima em matar o próprio pêlo relvado e em rebentar com as finanças da secção de jardinage da Câmara.
Ao longe, a coisa parece apelativa e convidativa, até porque se situa rés vés com o nível da água da toalha liquida proporcionada pelo Açude do Mondego.
Contudo, vendo a obra ao longe, uma coisa sempre me intrigou. É que os bares, as esplanadas e demais passadiços de madeira, estão todos muito baixos. Aquilo é leito de cheia do Mondego. E não falo das cheias maradas de 20 em 20 anos. Nope, ainda há dois anos, aquele nível das madeiras tratadas e dos balcões do bares, esteve com mais de um metro de água em cima, que quase galgou a Avenida da Lousã.
Estanhei, e pensei que os sábios de serviço devem ter arranjado algum sistema modernaço, de comportas, de básculas ou até de construção em módulos, simples e fácil de desmontar de uma semana para a outra. Eu sei que a coisa parece abstrusa, mas que diabo, as novas tecnologias nunca param de nos espantar. Tudo é possível, hoje em dia!
Ontem vi a luz. Chegou-me um cliente ao escritório, de Viseu, indicado por outro cliente, e logo foi dizendo que estava a equacionar a candidatura à exploração de um bar do novo parque e que não conhecendo a zona, nem Coimbra, tinha dúvidas sobre algumas das cláusulas que a Câmara propunha prá concessão.
E ali, preto no branco, lá vinha escarrapachada a alta tecnologia aplicada na obra. Entre muito paleio jurídico lá vinha então, que a Câmara declinava qualquer responsabilidade por situações de elevação súbita do nível médio do rio, qualquer que fosse a sua origem ou data de ocorrência sendo da inteira responsabilidade do concessionário a previsão da situação anómala e a superação das suas consequências. Lindo e Belo! Tal comá Tecnologia de Ponta, também a Advocacia de Ponta nunca cessa de me espantar!
Lá expliquei ao homem, que aquilo era a cheia, e que a cheia de 2 em 2 anos, dava-lhe ali forte e feio!

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