26/05/04

GORA EUSKALERRIA!!, por Butragueño.

O título deste texto é em basco. Não sei o que significa, mas deve ser algum grito de guerra fantástico. Retirei-o de um mail do nosso basco de estimação, o Mau, lui-mêmme.
Por mim, gostaria que ele significasse «obrigado» porque era esta a palavra que eu voltaria a dizer ao Alejandro, ao Gonçalo, ao Álvaro, ao Óscar e a toda a sua família. Não esquecendo o Arturo, claro. Como não sei como se diz «obrigado» em basco, que é uma língua muito, muito complicada, tive que remediar com Gora Euskalerria. Mas soa bem, de qualquer modo.

Este fim de semana, eu, o Mau, o Mangas, o Nestum, o Sábio e o Sarda fomos até Bilbau. Saímos na madrugada de sábado e regressámos na madrugada de Domingo. O Porco ainda mexe.

Bilbau era uma cidade soturna e industrial há uns anos atrás. Essa era, pelo menos, a minha memória da cidade, vista ao longe da auto-estrada para França. Entretanto a indústria pesada foi desmantelada compulsivamente. Hoje, Bilbau é uma cidade arejada, com montes verdes a encimá-la, um mar fantástico e uma zona ribeirinha onde dá gosto passear. É aqui que está o Gugenheim, um edifício (!?) onde não há duas linhas, duas curvas, dois sólidos iguais. O Gugenheim é uma espécie de enorme escultura expressionista, a teoria do caos materializada e, para levar a coerência a um ponto extremo, foi construído debaixo de uma ponte velha. O museu procura superar todas as barreiras, mistura e confunde tudo, deliberadamente: linhas rectas e circulares, horizontalidade e verticalidade, formas geométricas e orgânicas, opacidade e transparência, abstracção e figurativismo , interior e exterior, solidez e liquidez…

É certo que a colecção permanente de arte pop (Warholl, Oldenburg, Liechenstein, J. Dine, Rosenquist, Raushenberg…) é francamente excelente. Mas tudo parece estar ali para prestar homenagem ao próprio edifício, para torná-lo mais brilhante, ainda, do que já é. O Gugenheim deve ser um dos poucos museus do mundo que não precisa de nada lá dentro porque é em si mesmo uma obra de arte.

No domingo fomos à catedral: San Mamés, o estádio mais antigo de Espanha, da mais antiga equipa da Primeira Liga Espanhola, o Atlético de Bilbau. O Atlético apresentou a equipa B e perdeu por 4-3 com o Atlético de Madrid. Mas isso não importou nada aos 40 000 adeptos que encheram completamente a Catedral e que nunca se cansaram de apoiar o seu «Atlethi».

Vi o jogo perto de três veteranos – tios do Mau e do Óscar – que me iam passando um cantil de couro com um Rioja (tinto, claro) lá dentro. Mas aquilo não é fácil de se beber porque tem de se erguer o cantil de couro bem alto, acima da cabeça, e deixar escorrer um fio de vinho para a boca.
- Mas deixam entrar bebidas alcoólicas nos estádios espanhóis?, perguntei eu ao Mau, que estava enfiado num equipamento autografado pelo Etcheverria, o craque da equipa.
- Hombre!, exclamou ele escandalizado. São adeptos antigos, têm as suas regalias.
- E bem, pensei eu. E achei natural.

Mas Bilbau também é, ou é, fundamentalmente, a hospitalidade das pessoas, a sua euforia alegre, o seu bem estar visível, a sua generosidade. Alejandro, o reactor nuclear dos Prieto, Álvaro, um gentleman com um lado Easy Rider e Gonçalo, o benjamim da família, souberam ser Gugenheims. Contamos convosco em Portugal, para provarem, como prometemos, o melhor leitão do mundo. GORA EUSKALERRIA!!, seja lá o que isso for…

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