13/05/04

A MANCHA HUMANA, de PHILIP ROTH, por ChinêsCulinário

- Se o Clinton lhe tivesse ido ao cu, talvez ela tivesse calado a boca. Bill Clinton não é o homem que dizem ser. Se a tivesse virado de barriga para baixo no Salão Oval e lhe tivesse ido ao cu, nada disto teria acontecido.
- Bem, ele nunca a dominou. Jogou pelo seguro.
- Sabes, depois de chegar à Casa Branca o tipo deixou de dominar. Não podia. (...) Quando se tornou presidente perdeu todo o seu talento arkansiano típico para dominar mulheres. Enquanto foi procurador – geral e governador de um pequeno estado obscuro, dominar era perfeito para ele.
- Sem dúvida. Basta pensar na Gennifer Flowers.
- O que acontece no Arkansas? Se um tipo cai quando ainda se encontra lá, não cai de muito alto.
- Exactamente. E calcula-se que tenha tara pelo cu. É uma tradição.
- Mas quando chega à Casa Branca, não pode dominar. E quando não pode dominar, Miss Monica vira-se contra ele. Teria garantido a lealdade dela se lhe fosse ao cu. O pacto devia ter sido esse. Tê-los-ia ligado. Mas não houve pacto.
- Bem, ela assustou-se. Sabes bem que esteve prestes a não dizer nada. Starr esmagou-a Onze gajos na sala com ela naquele hotel, já imaginaste? A massacrá-la? Foi uma geraldina. Uma violação colectiva encenada por Starr naquele hotel.
- Isso é verdade. Mas ela já andava a falar com a Linda Tripp.
- Ah, sim.
- Andava a falar com toda a gente. Pertence àquela cultura idiota do blá-blá-blá. A esta geração que se orgulha da sua superficialidade. A sinceridade é tudo. Sincera e vazia, totalmente vazia. A sinceridade que dispara em todas as direcções. A sinceridade que é pior do que a pior falsidade e a inocência que é pior do que a corrupção.
(...)
- Mas o que não percebeu foi que tinha de lhe ir ao cu. Porquê? Para a calar. (...) Se lhe tivesse ido ao cu, duvido que ela tivesse falado com Linda Tripp. Porque não quereria falar a esse respeito. (...) É pelo cu que se gera a lealdade.

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