30/05/04

A Mercearia Portugal, por Durex

A vitória do porto na liga dos campeões, deu jeito aos laranjas do governo, para abafar alguns verdadeiros escândalos surgidos na última semana. Entre outros, pense-se na criativa remuneração do novo director geral do fisco nomeado pelo governo. A lei obriga a que os salários destes indivíduos não ultrapassem os 5 mil euros (à volta disto, não sei o número exacto). E o governo vai contratar o tal gajo por 23.000 euros, sendo que os 17 000 euros que sobram são pagos pelo banco Millenium!!!! O novo director geral continua com um vínculo ao banco, que se manifesta muito generoso com ele.

Para mim a situação é claramente insustentável: a nomeação deve cessar imediatamente porque viola a lei ou, pelo menos, manifesta uma interpretação bizarra da mesma. A manter-se configura uma situação de incompatibilidade de interesses: o director geral das finanças – ou um ministro ou um primeiro-ministro - obviamente, não pode acumular a função que detém com a ligação a uma empresa privada que lhe paga – vá-se lá saber porquê – um salário mensal de 17.000 euros.

Isto representa o fim do contrato social, da ideia de estado-nação. É já a ideia do estado-empresa que aqui vemos. Os critério meramente económicos – «o gajo é bom e para o termos nas Finanças temos que lhe pagar bem» - não podem sobrepor-se aos fundamentos éticos do estado, que deve ser imparcial e independente. Até porque se o que vale é apenas a economia, então, nós consumidores, deveríamos ter o mesmo direito da sra ministra e dizer-lhe: «olhe, impostos por impostos, então deixo de descontar para o estado português e passo a descontar para Espanha, Suíça ou França, onde o meu dinheiro rende mais». A empresa Portugal que se desunhasse para concorrer no mercado livre com a empresa Alemanha ou França ou Espanha. Era lindo, não era?

Sem comentários: