15/06/04

Ingleses pra inglaterra, já! por Zidane

Como se esperava os ingleses atacaram de novo. Desta vez em Albufeira, de uma forma mais selvática, mais british, depois da tímida investida com gás em Lisboa sobre os marchantes e de uns abanõezitos nos franceses para aquecer. Como se sabe, esta espécie de animais, tem este comportamento em todo e qualquer grande evento futebolístico fora de inglaterra. Começa como está a começar no Euro português – primeiro timidamente, depois em força, até proporções drásticas, com feridos e mortos.

O Hooliganismo inglês começou a desenvolver-se nos anos 70-80, primeiro ao nível de clubes como o Manchester, o Chelsea ou o Liverpool, depois na selecção. A UEFA assistiu complacentemente à onda de barbárie, até que se deu o inevitável: Heysel Park. Remediou-se depois, o que deveria ter sido prevenido antes. A UEFA viu-se obrigada a agir e decretou uma suspensão de todo o futebol inglês durante três anos. Duas décadas depois, os ingleses estão na mesma ou pior.

Sob pena de voltarem a ser cúmplices de uma tragédia que se avizinha mais cedo ou mais tarde, em Portugal ou noutro sítio qualquer, é necessário que os senhores da UEFA tomem a única medida que é sensato tomar. E já. Dando sequência à promessa já feita, a UEFA deve decretar já a EXCLUSÃO IMEDIATA DA SELECÇÃO INGLESA DO EURO.

Não creio que haja outra forma de lidar com estes energúmenos. Os hooligans exercem uma violência ideológica. O hooliganismo é uma ideologia que faz a apologia da violência, do racismo e do territorialismo. Uma das formas típicas do modus operandi desta cambada é o isolamento das zonas centrais das cidades, o seu controlo (cortar o trânsito, enxovalhar os incautos automobilistas que se aventuram pela «zona ocupada», etc). o hooliganismo implica promoções de guerra dentro da horda – medalhas por participação nas «batalhas» - e uma estética identitária que tem a ver com hinos, cânticos, fardas, pinturas e outros códigos.

Esta violência ideológica é dificil de travar porque quando a polícia carrega sobre estes cavalos, entra na lógica deles. É para isso que eles cá estão: para lutarem, para destruírem e defrontarem os «exércitos inimigos». Cada carga policial só reforça ainda mais a lógica de guerra do hooliganismo. Não que não lhes devamos partir os costados – claro que sim, eles merecem. Mas não tenhamos ilusões: não resolvemos o problema desta maneira, pelo contrário. Só há uma forma eficaz: é cortar o mal pela raiz e isso significa manter estas bestas na terra deles. E aí, a única solução é excluir a selecção inglesa das grandes competições. É altura da UEFA deixar de fazer contas e assumir uma posição decente, para que não seja no futuro acusada de conivência tácita com estes selvagens. A próxima paragem é Coimbra e nesse dia eu vou ficar em casa com a pistola carregada.

Sem comentários: