09/07/04

ALMA MATER, por Los Borrachos

“Faço por abrir as garrafas algum tempo antes de servir, preferindo decantar todo e qualquer tipo de vinho. Não conheci ainda nenhum que não ganhasse ao ser decantado.
O vinho realça a comida , solta as línguas, aquece os corações, cria ligações entre as pessoas. Quem aprecia a vida aprecia o vinho.
Na vida há fases para tudo. Pretender que qualquer jovem de 18 anos aprecie vinho, entenda o que é a qualidade de vida, o requinte dos sabores, a paciência (para se apreciar vinho é preciso aprender a paciência) é talvez demasiado. E difícil. Os jovens são excessivos por natureza – e ainda bem, que maçada se fosse o contrário. A paciência demora tempo. Eu próprio não bebi vinho nessas idades. Sobretudo não apreciava. Também não tinha paciência!
Há que manter viva a cultura e a civilização do vinho, com o tempo todos o saberão apreciar. Sou sempre optimista.
Beber vinho, sempre com comida (mesmo aperitivos) e sempre, sempre com companhia. O vinho é uma coisa sobre pessoas, não apenas um líquido que se ingere por muito prazer que dê. É um catalizador, fomenta a concórdia, solta as línguas, liberta e ilumina (ou apaga se se exagera) os espíritos.
Só bebo vinho quando recebo amigos ou quando como fora. Beber sozinho é uma tristeza.”

excerto da entrevista a Cristiano Van-Zeller, vitivinicultor duriense da Quinta do Vale de D. Maria, na Epicur de Junho de 2002

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