14/07/04

IL CAPO DI TUTTI CAPO, por DonVitoCorleone

A televisão está uma merda, pelo que em regra não vejo televisão. Prefiro ler. Mas agora, voltou a hora de pura religiosidade e fascínio. Segundas -Feiras às 23.00 horas no Canal 2, liga-se o altar em adoração e fascinação.

A malta não vê, mas não sabe o que perde. Os Sopranos é uma série absolutamente genial. Fabulosa. Já andou a dar há dois anos e agora a RTP2 repescou-a. Do ponto onde foi retomada, vão ver numa desta Segundas que aí vêm, a melhor série de episódios da coisa. Ajoelhem e vejam a aparição deste Padrinho Suburbano. Vão atingir o cume, o sublime, a poesia pura, o enlevo máximo de prazer bruto e televisivo.


A coisa vai começar com um Capo mafioso, jovenzarro da pesada, que enche de tal maneira os cornos de Cavalo puro, que ao sentar-se no sofá da sala, esborracha a Caniche branquinha e ternurenta da namorada - boazona kitsch - que ali se encontrava a dormitar.

A cachopa do caniche, que até aí lhe vinha perdoando tudo, desde bofetadas a pontapés e cuspidelas prá sopa, não lhe perdoou o assassínio monstruoso da Caniche e vai de ir fazer queixa ao maioral lá do sitio, il Capo di Tutti Capo, um gordo simpático e putanheiro, mas algo depressivo que passa metade da vida a comer e a outra metade a psicanalisar-se numa psicanalista de boa perna.

Ora, o il Capo di Tutti Capo, que como já se disse é um gajo em permanente depressão e tratamento psicanalítico, tinha acabado, no episódio anterior, de esmagar a cabeça à pancada de um outro dos seus capos, porque este lhe tinha matado um cavalo pra receber um seguro. Ficou fodido com o cavalo assassinado e fodido ficou com o Capo jovenzarro por deixar o Cavalo foder a Caniche.

E vai daí, com a colaboração de um ex-drogado e ex-mafioso, que ainda faz umas coisitas de um lado e doutro, trataram de arranjar uma sessão de Alta Psicanálise em regime de "confontação e reconhecimento de culpa sem julgamento", onde o jovenzarro da heroína é confrontado com os capos todos, o Capo di Tutti Capo, a mãe, a namorada boazona, a tia, etc e tal. Esta gentinha toda, mailo psicanólogo, embarcam numa sessão de sala e sofá, em que confrontam o rapaz.

Já se vê que na primeira oportunidade, foi deixada de lado a psicologia barata e passaram à psicanálise aplicada, altura que os capos todos, mailo Il Capo di Tutti Capo, espetaram um tareião de caixão à cova ao Drogas.

Para se recompor da tarefa esgotante, il Capo di Tutti Capo vai visitar o seu tio, velhote adiantado - ex-Capo di Tutti Capo - que anda há anos a ser julgado em tribunal por mafiosice, e que há anos se vem escapando com adiamentos à pala de uma suposta incapacidade, uma vez que, não sendo parvo, cada vez que sai à porta de casa pra fora, vigiado pelos FBI`s todos, se mija pelas pernas abaixo.

Ora na casa do tio - que lá não está - o gordo do Capo maior, encontra a enfermeira russa do tio, uma loiraça optimista, bem feita e inteligente, que embora perneta, se embeiçou pelo maior.

O Padrinho que é gordo, mas não é parvo e nunca desperdiça uma boa coxa, deu-lhe uma mistura de coisa na alma e nó nos tomates, quando à luz difusa do sol da janela viu a cabecinha loira da russa perneta e optimista e mais viu ainda a protese de sapato à coxa, com meias e tudo, encostada ao canto do sofá, pelo que num momento de grande intimidade, fulgor romântico e lábia de putanheiro encartado, vai de saltar prá cueca da perneta, num must de langor e luxúria Def. Ou tecla três como agora se diz. Sublime.

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