27/07/04

Keith Haring e a Casa do Alentejo, por Apocalypse

Na semana passada uma representação oficial do Porco deslocou-se à capital. Missão: visitar a exposição do Keith Haring na Culturgest. A coisa prometia – a mesma exposição já tinha estado no Porto e agora apresenta-se em Lisboa numa versão mais completa. Apesar desta ser a versão longa da coisa, ficou um travo amargo no fim. Todo o Porco foi unânime em considerar a mesma muito incompleta. Da última fase de Haring, então, nada mais que um único quadro. O que será a short version desta exposição, é caso para perguntar?

Pessoalmente tenho algum interesse pela obra de Haring, mas nesta exposição estão  retratadas uma fase inicial mais minimalista (do princípio dos anos 80) e a série Apocalipse (1988), que não me toca especialmente. A primeira fase terá um valor mais documental – ilustra o germinar do alfabeto de Haring e da sua iconografia que depois se repetirá com variações mais ou menos ligeiras ao longo da sua obra. A série Apocalipse, parece-me datada e depressiva.
Mas é comum a toda a exposição, e a todo o Haring, o sarcasmo, o humor ácido e corrosivo e isso está lá sempre. O jogo labiríntico em que este pintor americano envolve as suas personagens também me interessou, bem como as relações perversas que ligam as personagens-ícones do seu mundo. Está lá, também, o neo-primitivismo, as referências à arte pré-histórica e pré-colombiana que o nosso guru para as questões estéticas, Sua Majestade Golfista, foi assinalando ao longo da exposição.

No fim, enquanto cascávamos ferozmente, na imensidão terceiro-mundista do edifício da Caixa Geral de Depósitos – um monstro à Ceausescu -, notámos que estávamos cuma fome do caraças! Decidimos abancar na Casa Alentejana, na baixa, mesmo ao pé da sede do Glorioso, pelos seus pátios andaluzes, pelos motivos árabes, pelos azulejos, enfim, pareceu-nos que a estética do sítio valia o risco de podermos comer mal. Enganámo-nos! Aquilo é lindo mas a comida… Comé possível? Eu já não comia tão mal desde o tempo em que ainda almoçava na cantina da universidade… O vinho era uma mistela inenarrável de Montemor-o-Novo, o ensopado de borrego não servia nem pró gato do meu vizinho e foi pra trás inteiro, é pá, foi uma tragédia, prontos, e o empregado não levou no maço porque impedimos o Grunfo, que delirava sentado, de lhe saltar pra cima. E o ambiente? «Francamente!», como dizem os cravas aprumados da capital quando o Xiita não lhes dá esmola… Porra, que mal é que fizemos aos Deuses? Entre velhinhos com Parkinson e otários ingleses, nem sabíamos pra onde olhar… Uma merda, prontos! Mas onde é que se come bem em Lisboa, alguém me ajuda? É que quanto mais ando para Sul, mais gosto do Norte…

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