16/10/04

Heresias Blasfemas, Parte I (Abraão), por Heresiarca

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Abrão, ou depois de rebaptizado por Deus, Abraão (Pai de Muitas Gentes), viu-se obrigado a certa altura a ir para o Egipto, devido à fome que grassava em Canaã.

A Prémio Nobel da Literatura Pearl S. Buck, no seu livro “O Grande Romance da Bíblia”, que é uma versão encadeada e resumida do sagrado livro, despacha o evento com um seco: “…assim ele e quantos o acompanhavam resolveram descer até às terras bem irrigadas do Egipto para nelas permanecerem até que a fome cessasse. Quando assim aconteceu, regressou Abrão a Canaã…”

Neste, como em muitos outros exemplos, Pearl S. Buck atestou mais uma vez o seu puritanismo moralista, que se deu mal com alguns episódios biblícos.

É que o Génesis do Pentateuco, é ligeiramente mais pormenorizado e esclarecedor ao rezar assim: “...Quando já estavam quase a entrar no Egipto, Abrão disse a Sarai, sua mulher: “Ouve, sei que és uma mulher de belo aspecto. Quando os egípcios te virem, dirão: “É a mulher dele.” E matar-me-ão, e a ti conservarão a vida. “Diz, pois, que és a minha irmã, peço-te, a fim de que seu seja bem tratado por causa de ti, e salve a minha vida, graças a ti.” Quando Abrão chegou ao Egipto, os egípcios notaram que a sua mulher era muito bonita. Os grandes da corte, que a viram, referiram-se elogiosamente a ela, na presença do Faraó, e a mulher foi conduzida ao palácio. Por causa dela, Abrão foi muito bem tratado, e recebeu ovelhas, bois, jumentos, servos e servas, jumentas e camelos. Mas o Senhor infligiu tremendos castigos ao Faraó e à sua casa, devido a Sarai, mulher de Abrão. O Faraó mandou chamar Abrão para lhe dizer: “ Que é que te levou a fazer-me semelhante coisa? Porque não me disseste que ela era tua mulher? Porque me disseste que ela era tua irmã, dando lugar a que eu a tomasse por mulher? Agora, aqui tens a tua mulher, toma-a e vai-te embora.”

Lê-se e fica-se estarrecido. A Bíblia, na versão agigantada da Difusora Bíblica, multiplica-se em anotações explicativas e interpretativas, mas o indubitável permanece e acaba-se por aceitar a censura puritana da Nobel Pearl. È que não é qualquer um que engole de ânimo leve que Abraão, O Pai De Todos, foi sem dúvida o Primeiro Chulo da Criação. E Sarai, que depois foi rebaptizada para Sara, devia ser era Geraldina.

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