07/10/04

Marteladas

Quem tem um mínimo contacto com a nobre profissão de jornalista, sabe como são corriqueiras, mesmo banais, as pressões a que a classe está sujeita. Autarcas boçais, ministros pseudo-espertos, caudillos de aparelho, arrivistas de apanha recente, estes e outros espécimes da fauna política local e nacional, são useiros e vezeiros no «toque», no «alerta» ou na ameaça velada.

Geralmente a pressão não se exerce directamente sobre o jornalista, principalmente, se este se mostra indomável. Nem sequer sobre os seus superiores hierárquicos, também eles jornalistas. A coisa faz-se noutra divisão, no tabuleiro da economia - vai-se directamente ao conselho de administração, ao administrador amigalhaço das lutas políticas ou compincha noutros negócios. Esta gente continua a encarar a liberdade de expressão como um luxo cosmético que urge estancar, assim que ameaça levemente os interesses estabelecidos. E ainda continua a pensar que o país se governa com uma espécie de política subterrânea que é feita de influências recônditas, cunhas à sucapa, pressões mais ou menos secretas e maçonarias «discretas».

Para quem tem um mínimo de conhecimento sobre o dia a dia dos jornalista - e vê como banais as pressões que a «classe» (ou sem ela) política» exerce sobre eles - poderá ainda haver alguma dúvida sobre as pressões que terão tido como alvo o Professor ?

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