11/10/04

A Vila, de M. Night Shyamalan, por HomemDeVitrúvio

Por influência do Goldmundo, fui ver o filme “A Vila” do M. Night Shyamalan. Fui vê-lo com o propósito declarado de fundamentar mais um duelo ao sol com o Gold. Com a visão do Trailer e do que se entendia da publicidade televisiva, adivinhava mais um filme de terror de pacotilha, com tripas a sair de todo o lado e bestas imundas aos saltos no escuro. O último filme do Shyamalan, o “Sinais” com o Mel Gibson e Et`s verdes aos saltos em campos de milho decorados para o efeito, não augurava nada de bom. Enganei-me. “A Vila” é um grande filme. O terror e o medo andam por ali, mas é mais a construção psicológica e técnica, do que as tripas ou as bestas desembestadas. O filme é profundo, complexo, terrífico, abominável e verosímel. O medo ali, é palpável, terrível, mas humano e cerebral. O decorrer do filme leva-nos constantemente ao engano e troca-nos sempre as curvas da estrada. O filme remete-nos quase directamente para o Génesis da Bíblia, nomeadamente para a Perda e a subsequente busca do Paraíso Perdido. Tal como no Génesis, também aqui o Paraíso assenta na Ignorância. Adão e Eva estão proibidos de comer o fruto da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. No “A Vila” também são as árvores que demarcam a fronteira e impedem o conhecimento. Isto daria pano pra Mangas, como já deu entre mim e Goldmundo, na sua Ribeira Negra. Ficando por aqui, resta-me responder à pergunta que se impõe: Será que se queria viver no Paraíso de “A Vila”, ou no Paraíso Perdido do Génesis. Eu respondo não. Subscrevo o acto da Eva e louvo a Serpente que lhe abriu os olhos (só a partir do “Paraíso Perdido” do John Milton, ou sobretudo por ele, é que a serpente passa a Lúcifer disfarçado, antes era o mais bonito dos animais e andava erecta). Só é pena que a Eva não tenha também comido o fruto da Árvore da Vida, antes da expulsão do paraíso.

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