10/11/04

Kilroy Was Here !, por DervicheRodopiante

- Já toda a gente viu de certeza um boneco semelhante ao do lado. Não é tão comum como os perversos “smiles”, mas aparece em “n” grafittis, filmes, livros e na net é mato. Até o Calvin do Calvin & Hobbes do “Público” aparece algumas vezes com esta postura. Por mim, já tropecei muita vez em tal bicho e sempre fiquei curioso da sua origem ou significado.

Ainda pensei em interrogar o nosso Vice, especialista em Simbologia e Semiótica, mas tal ousadia tanto pode resultar num discurso de duas horas sobre a evolução do boneco desde o São Tomás de Aquino até ao Umberto Eco, como pode conduzir à defenestração do ignaro por delito de analfabrutismo.

Contudo, há uns tempos atrás o “Público” reproduzia a lista do New York Times sobre os 4 melhores livros de literatura do Séc. XX, que seriam o “Ulisses” do James Joyce, o “À Espera dos Bárbaros” do J.M Coetzee, o “Pilgrims Progress” do John Bunyan e o “A Trilogia de Nova Iorque” do Paul Auster. Dando de barato o chauvinismo de se tratar de obras só de língua inglesa e saltando o Bunyan que julgo nem sequer estar traduzido, tratei de ler “A Trilogia de Nova Iorque” que me faltava. E ali, em nota de rodapé lá descobri o nome do boneco e a sua origem. Apresento-lhes assim o “Kilroy”.

Kilroy era nem mais nem menos que um fiscal dos estaleiros navais do Massachussets, nos EUA, que durante a construção naval intensa da Segunda Guerra Mundial, estava encarregue de inspeccionar e contar o trabalho dos rebitadores. Rebitadores esses, que eram pagos por cada rebite colocado. Após a inspecção e a contagem, Kilroy colocava no local, uma marca de giz para que os outros fiscais soubessem que aqueles rebites já estavam contados. Os rebitadores, ratões, iam por detrás do pachola do Kilroy e apagavam as suas marcas de giz, o que levou a pagamentos a dobrar, pelos quais o Kilroy foi chamado à pedra. E o Kilroy não esteve com meias medidas e passou a andar com lata de tinta e brocha. E brochava tudo com a expressão “Kilroy Was Here”.

Acontece ainda que, como em tempo de guerra não se limpam espingardas, as lanchas de desembarque, navios de transporte e demais material de guerra, saia dos estaleiros directamente prá frente de batalha sem qualquer pintura que eliminasse os milhares de “Kilroy Was Were” presentes em tudo. Muitas lanchas de desembarque e navios de transporte de tropas, apresentavam assim como único emblema, estandarte ou bandeira, o misterioso e eterno “Kilroy Was Here”.

Os soldados americanos acharam piada à coisa, adoptaram a expressão e trataram eles próprios de a pintar em todo o lado, dos tanques às baionetas, razão pela qual se vê tal expressão em muitos filmes sobre a Segunda Guerra, tanto na Europa como no Pacífico. Pelo meio há um soldado desconhecido, ao que se julga na frente do Pacífico, que acrescenta à expressão, o boneco do narigudo a espreitar por cima da vedação. A coisa tornou-se de tal maneira iconográfica que contaminou a própria guerra da Coreia e do Vietname.
E agora contaminou o Tapor. Kilroy Was Also Here !

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