02/11/04

Pedro Páramo de Juan Rulfo, por AlquimistaDaDor

Vi agora nos escaparates mais um livro da Isabel Allende, autora de que nunca li nada. Talvez um dia, quiçá. Mas sempre fui desconfiado em relação a escritores que escrevem um livro de cada vez que vão à casa de banho. Autores como a Isabel Allende, Nicholas Sparks, Anne Rice, Paulo Coelho, John Grisham e quejandos, que inundam constantemente de capas diferentes os Continentes e quitandas similares, fazem-me torcer o nariz e fugir deles como o diabo da cruz.
É quase impossível que quem tenha tanta coisa a dizer, diga alguma coisa de jeito.
E vem isto a propósito de Juan Rulfo, um fotógrafo e escritor mexicano, que só há pouco descobri nos cafundós dos armários imensos. Ao invés dos industriais da escrita e da novela deste mundo, Juan Rulfo, discreto funcionário público do estado mexicano, com uma vida fantástica e atribulada como poucos, tinha uma única história a contar. Uma só coisa a dizer. Escreveu um livro em 1955, publicou-o e nunca mais escreveu romance nenhum, até falecer em 1986. O que tinha a dizer, disse-o ali e nunca mais abriu a boca. O seu único livro, “Pedro Páramo” é um livro fabuloso. Uma obra prima do Realismo Mágico, mas anterior a qualquer das obras do Gabriel Garcia Marquez ou do Miguel Angel Astúrias. De Pedro Páramo, uma obra pequena com pouco mais de 100 páginas, disse Borges: "Pedro Páramo es una de las mejores novelas de las literaturas de lengua hispánica, y aun de toda la literatura"
Uma vez perguntaram a Juan Rulfo porque não escreveu mais nenhum romance, porquê o filho único. Respondeu, que o que tinha a dizer, disse-o ali. Ainda escreveu alguns pequenos contos, mas romance e livro propriamente dito, foi só aquele.
Há obras grandes, muito superiores ao tamanho e por vezes, por detrás delas, Homens ainda Maiores.

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