19/11/04

Um Rapaz Cruel, Sanguinário e Vingativo, por SarçArdente

Agora anda toda a gente a escrevinhar à mão a Bíblia. A começar pelo nosso/deles Presidente da Junta, Sua Majestade Portentosa El Cabeça de Cenoura, tudo faz bicha com câmaras atrás claro, para ir escrever mais um trecho do livrinho sagrado.

Ora o livrinho sagrado, que nos ensinaram - de longe e por voz terceira - como puro e inatacável, é uma enorme sucessão de barbaridades. Divinas, mas barbaridades.

Até dou barato, a justeza dos ensinamentos do JóttaCristo do Novo Testamento, assim como a imagem do Deus compreensivo, misericordioso e pachola que o mesmo descreveu. Mas o Velho Testamento pré-Ísaias, descreve um Deus particularmente cruel, invejoso, ditador, sanguinário e vingativo, que se está completamente a cagar para quantos inocentes mata, só para dar uma lição a um triste qualquer que só reza uma vez ao dia. É um Deus que arrasa povos e cidades inteiras só para dar lições ao povinho eleito, que por acaso nem lá mora. Noutras vezes, extermina por inteiro o povinho deseleito e vai fazer obra nova a partir de outro rebento qualquer. Tribos inteiras sujeitas a pragas ou passadas a fio de espada é mato na Bíblia, tudo com aval, ajuda divina ou até em acção directa e ao vivo do colérico nominado.

Por tudo isto e nesta época do politicamente correcto em extremo, acho imensa piada às criancinhas todas a copiarem os excertos como os do Génesis, que relatam em pormenor o arrasar de Sodoma e Gomorra, crianças e bebés de colo incluídos, ou a parte em que se recomenda que se comam grilos e gafanhotos, mas que condena à danação quem coma gambas ou camarão, ou a violação do pai pelas filhas de Lot numa orgia continua de dias sucessivos, ou ainda aquele outro que relata que Deus permitiu a Caim “conhecer” mulher, depois do gajo limpar o sebo ao irmão Abel. Isto, quando na altura só tinha sido ainda criada uma única mulher, Eva, a mãe de Caim. Ora, se só lá havia uma mulher e Deus permitiu a Caim “conhecer” mulher, quem é que raio “conheceu” Caim? Freud tinha razão?

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