20/12/04

Bom Carnaval, por Jingle Bells

Eu não gramo o natal! É uma mascarada em que todos se acham, subitamente, anjinhos bondosos. No natal fica tudo tão anjinho que eu chego a ter saudades das declarações de guerra dos dirigentes da Bola e das facadas nas costas que os políticos espetam uns nos outros. Por isso, o natal é o verdadeiro carnaval, um carnaval não pagão, a genuína festa das máscaras a sério com que as pessoas se enganam umas às outras um dia por ano.

Já não chegava ser a quadra da hipocrisia. Podia, ao menos, sê-lo discretamente. Mas não: o que me chateia mais no natal é a sua insistência, a sua omnipresença. Nos jornais, na rádio, na tv – dantes, quando tínhamos só dois canais, era um drama ligar a TV e ver os mesmos filmes passados na neve com finais felizes. Agora, vá lá, que a TV cabo dá-nos algumas opções mais. Mas mesmo assim ainda mói!

Omnipresença nos media, mas também nas ruas, nas lojas nos centros comerciais (os «shoppings» são as verdadeiras igrejas natalícias, pelo menos, as que melhor encarnam o verdadeiro espírito da época) e até nas ruas reluzentes com a porcaria dos enfeites e a música-xarope a moer-nos a toda hora, a todo o segundo, em todo o lado. O natal é a silly season de Inverno! No natal nem sequer há futebol e até os filmes que estreiam nas «salas de cinema perto de nós», são, invariavelmente, idiotas ou infantis.
O natal atordoa-me, mete-se-me pelos olhos, pela pele, pelos ouvidos e pelos nariz dentro. Se o natal fosse mais discreto, eu suportava-o, mas é tão ostensivo, mas tão ostensivo!, que às vezes apetece-me chamar nomes ao S. Nicolau.

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