26/01/05

As músicas do Porco – Bullet with Butterfly Wings, Smashing Pumpkins, por Careca


Os Smashing Pumpkins foram a última grande banda de rock e a melhor dos anos 90! Eu sei que os U2 ainda mexem e que, nos últimos tempos surgiram grupos tão interessantes como os The Strokes, os White Stripes ou os The Vines. Creio até que qualquer destas três bandas e, em especial, os excelentes e versáteis White Stripes, asseguram a sobrevivência do Rock para os próximos tempos. Rock´n`roll is not dead! É verdade que após a dissolução dos Pumpkins, o Billy Corgan continuou a carreira com os Zwan. Fez um bom disco, mas a força original já lá vai.

Os Pumpkins fizeram-me reencontrar com a velha tradição Rock. Não que outros grupos igualmente interessantes não se fizessem ouvir nos anos 90. Claro que sim – os Massive Attack, acima de todos os outros, são incontornáveis, mas poderia ainda referir os Portyshead, Moby, Pulp, Chimical Brothers ou Kruder and Durfmeister… Mas nenhum destes nomes é parte do espírito da música rock. Isso não é defeito nenhum, aliás, ainda bem que é assim, que há muitas e diferentes músicas… Eu nunca parei de encontrar música de qualidade em momento nenhum da minha vida. Mas nenhum dos nomes que atrás citei, enfileira na grande tradição Rock, onde incluo Chuck Berry, algumas coisas dos Beatles (Come Together é do melhor), os Rolling Stones, o Bowie de Ziggy Stardust e, sobretudo, Led Zepellin. Depois deles, os Clash e os Pistols e o movimento Grunge, continuaram a saga do R´n`R.

Foi este filão que de novo se me abriu num lugar qualquer adormecido dentro do meu cérebro quando, pela primeira vez, ouvi Siamese Dream da banda do genial careca. Depois disso fui descobrindo que os Pumpkins tinham, de facto, uma personalidade estética, que está lá sempre, quer se trate de baladas arrastadas, ou de barragens de electricidade mortal (inesquecíveis os primeiros acordes de Everlasting Gaze no mítico concerto do Estádio do Restelo, o último da banda).

Uma música, contudo, está acima de tudo o resto: Bullet With Butterfly Wings do fabuloso e lírico Melloncollie and The Infinite Sadness. A música ganhou um Grammie– o correspondente musical dos óscars – no ano da sua edição e é, no meu modesto parecer, uma peça para figurar ao lado dos intemporais Jumpin Jack Flash, Revolution, Black Dog ou Highway Star. Começa com um grito só, que se tornou ícone para toda uma geração: The world is a vampire! Depois vem a secção rítmica, tensa, nervosa, que nos parece conduzir a uma caverna húmida e escura (sempre achei que o negro era a tradução pictórica desta música o que se confirmou nos dois espectáculos que vi deles com o palco completamente escuro no momento desta canção). As guitarras entram lentamente, ameaçadoras, até que somos conduzidos à explosão eléctrica (típica do grupo) no refrão que é pura rebeldia sonora - Despite all my rage I am still just a rat in a cage .

Bullet… é rock em estado puro! Billy Corgan é genial nesta música e, se mais nada tivesse feito com os Pumpkins, Bullet…, só por si, já chegava para lhe conferir o estatuto de Grande. Felizmente, para nós, ele fez muito mais!

Sem comentários: