22/01/05

Bloco de quê?, por Choque a Pique

No Porco a pastilha é democrática. Já aqui batemos no santana e no sócrates – duas fazes da mesma moeda de valor nulo; chega agora a vez do louçã. No último debate com o paulo portas na sic, disse uma enormidade inadmíssivel de todo e muito mais no líder de um partido que se afirma, frequentemente, como arauto das minorias. Foi mesmo na parte final – até aí pareceu-me que o debate estava mais ou menos empatado com o louçã a exagerar num estilo truculento que podia bem evitar e que, do meu ponto de vista, só o descredibiliza.

Mas de repente, discutia-se então o aborto, dispara o louçã:
- Você não tem legitimidade para se pronunciar sobre o aborto e sabe porquê? Porque você nunca gerou vida. Eu, pelo contrário, tenho uma filha, uma linda criança e sei o que é o seu sorriso de alegria. Como é que o dr. Portas pode falar da vida se nunca a gerou? Se nunca contemplou o sorriso de um filho? E por aí adiante…

O argumento é delirante: levado a sério implicaria que um deficiente motor não se poderia pronunciar sobre os problemas dos que não o são e vice-versa. Que os míopes não poderiam falar dos problemas dos que têm a vista sã e, em rigor, que nem o louçã se poderia pronunciar sobre o aborto porque não é mulher e, em rigor, só as mulheres geram a vida. O argumento não só é tosco, como ainda por cima é falso. Loução não gerou vida nenhuma; quem o fez foi mãe da sua filha.

Mas pior que isto é o jacobinismo desta posição, o moralismo serôdio e intolerante de quem decreta quem tem direito ou não de se pronunciar. Louçã entende que tem o poder de decretar os que podem e não podem dizer algo sobre o aborto – portou-se como um Estaline jacobino a quem só falta, no próximo debate, fazer o elogio das virtudes familiares, da moral cristã e dos bons costumes, quiçá, se da superioridade moral do amor heterossexual que gera vida sobre o amor homossexual inane e estéril. Em Portugal até a esquerda assumida parece ultra conservadora. Esta campanha já enjoa…

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