09/01/05

E se o Partido Infantil concorresse às eleições?, por Nelito

Estamos em tempo de eleições. O grande desafio deste país, dizem-nos aqueles senhores televisivos, é poupar mais dinheiro e aumentar as receitas. A economia não cresce ao ritmo a que deveria crescer. Afastamo-nos, assim, irremediavelmente dos nossos «parceiros europeus». Temos, pois, que reduzir as despesas antes de mais nada.
Parece-me lógico, parece-me bem, parece-me claro para toda a gente que quem está a gastar demais tem que passar a gastar menos. Qualquer criança percebe isto. Portugal pode reduzir os gastos e aumentar as receitas? Como? Proponho três medidas «infantis» – e chamo-lhes assim porque saltam à vista até de uma criança.

Uma: a máquina do estado português é muito gorda. Temos funcionários públicos a mais – parece que são cerca de 300 mil, segundo os estudos -, temos organismos e serviços que não servem para nada. Primeira medida – corte-se no que está a mais. Emagreça-se a máquina estatal. A questão que subsiste para o partido que queira começar por aqui é – e o que se vai fazer aos que estão a mais? Mandam-se para o desemprego? Pois… Assim não se ganham eleições.

Duas: o «Semanário Económico» divulgou em Setembro de 2004 os dados relativos aos pagamento do IRS pelos profissionais liberais com base nos números da Direcção Geral de Informática Trbutária e Aduaneira. Os dentistas declararam um rendimento anual bruto de 17.867 euros; os advogados, 10.864; os veterinários, 10. 255; arquitectos, 9.277; engenheiros, 8581, etc. Segundo o presidente da Câmara dos Técnicos Oficiais de Contas, os profissionais liberais deveriam contribuir com 15% das receitas totais do IRS. Contribuem com 6%! Em média cada profissional liberal paga menos de metade do IRS que deveria pagar. E se muitos não fogem ao fisco, isso significa que os que fogem deveriam pagar ainda mais… E nem vale a pena falar de certas empresas deste país, que, coitadinhas, acabam sempre com prejuízo e com alguns dos proprietários, às vezes grandes figuras do nosso triste jet set, a declararem rendimentos mensais de 40 contos mês e a deslocarem-se de Ferraris!
Segunda medida: meta-se esta gente que foge ao fisco a pagar os impostos devidos. Pois, mas então assim é que não se ganham mesmo as eleições…

Três: a qualidade dos nossos políticos é deprimente. Muitos dos políticos portugueses são ignorantes, incompetentes, sem sentido de serviço público, carreristas… Abundam os jotas e ex-jotas que nunca fizeram nada de relevante nem no plano académico nem no plano profissional. A nossa classe política está cheia de «profissionais» que nunca fizeram mais nada na vida a não ser frequentar os aparelhos, urdir as golpadas e contra-golpadas, a preparar carreiras e a desenrascarem-se na vidinha.
Terceira medida: melhoremos a qualidade dos nossos políticos, criem-se condições que atraiam para a política pessoas que se notabilizam nas suas esferas de competência e não uma colecção de carreristas profissionais. Como? Simples: reduzam a assembleia da república, não precisamos de tantos deputados - porque são maus ou nulos e porque a sua escolha não tem nada a ver com os círculos eleitorais por onde concorrem (vejam-se os casos das donas Zita e Matilde no PS e no PSD em Coimbra, por exemplo). Reduzam o seu número, acabem com as benesses e reformas escandalosas. Com o dinheiro que poupar, então sim, aumentem-se os salários mas de menos e melhores políticos. Não resolvia tudo, mas era um começo. Mas é claro, qual é o político que propõe medidas contra os aparelhos? Ná, assim é que não se ganhavam mesmo as eleições.

Conclusão: as medidas são óbvias, não se podem é aplicar. Talvez só nos reste mesmo mentalizarmo-nos de que estamos a criar um país de sol e praia onde o nosso lugar será, mais dia menos dia, o de garçons atenciosos a servirem camones. É uma opção tão digna como outra qualquer. E os gajos até dão boas gorjas.

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