05/01/05

Ron Jeremy, An American Legend and Pop Ícon, por MenteContusa


Winston Churchill, numa frase já citada aqui no Porco dizia que “o gato olha para nós por Cima, o Cão olha-nos por Baixo, só o Porco nos olha de frente!”
Ron Jeremy se algum mérito tem é olhar-nos sempre de frente. É o verdadeiro Porco. Um gajo de meia-idade, com umas entradas de careca, baixote, gordo, barrigudo, mais peludo que um macaco, seboso, gorduroso, sempre a suar que nem um cavalo, atarracado, flácido e que usa um extenso vocabulário de grunhidos como imagem de marca quando bota faladura. Acho que falta só falar da papeira e do bigode farfalhudo. Ah, e é verdade: feio comá noite!

Enfim, com estes predicados todos seria certamente “a mais improvável das estrelas de cinema”. Mas Ron Jeremy é uma estrela. E das grandes. Um colosso. Nascido em 1953 em Long Island, New York, há já 25 anos que irrompeu pelo Porno de San Fernando como um cometa mexicano. Seboso, mas Cometa. Hoje com mais de 1600 filmes no bucho, quer como estrela, quer como director, Ron Jeremy já pouco Porno faz e dedica-se a gerir os seus milhões que lhe advêm dos filmes, das T-Shirts, Posters, Isqueiros, Canetas, Conferências, Talk-Shows, Publicidade, etc, etc.

Neste momento no Top americano dos 10 Dvd´s mais vendidos, segundo o Yahoo, Ron Jeremy conta com nada menos do que 2 filmes: “Housewife From Hell” de 1993 (Porno e duro) e “The Legend Of Ron Jeremy”, uma comédia hilariante de série B, sobre o “The Hardest Working Men In The Showbusiness”.

Apesar de bem fornecido o seu ar seboso, gorduroso e de mexicano manhoso, não lhe augurava grande futuro na indústria da órgia filmada. Contudo, Ron Jeremy tinha dois tiques que caíram que nem ginjas no goto dos amantes de “sucedâneos da vida” (Umberto Eco dixit). Um, era a sua tara pelo Anal - copiado do gosto europeu -, outro, era o tratamento machista e abusivo das mulheres. Não, não era nada de chicotes, pingalins, murro ou chapadeira. Apenas e só o abuso verbal e a brutalidade carnal.

Não havia ali preliminares, aquecimento ou fantasia. Nada. Nada de romance ou lamechice. Há que despachar o assunto, mudar a água às azeitonas e despachar, que a cerveja está a aquecer. Um bruto, um animal. Muitas vezes, nem grunhia sequer, esticava o dedo, apontava e fazia-se entender. O sonho de qualquer macho. Feio, Porco e Mau. Sem preliminares, nem satisfações a dar.

Esta atitude geral do “é pró qué que é e pra mai nada” caiu que nem ginjas no imaginário masculino americano. A isto, acresce ainda a sensação do homem normal, de que se aquele anormal, grunho e baboso, consegue, todo e qualquer um pode conseguir. Daí ao estatuto de animal de estimação de Talk Shows, e queridinho da “inteligentzia artística”, foi pouco mais do que um salto e o Ron hoje é um Ícon Pop, presente em Galerias de arte, impresso em T-Shirts e posters vendidos aos milhões. “He is a beacon of Hope for many Américan Male, since He stands as living proof that pretty much everyone can get some!”

Ron Jeremy is Huge. Revi-o há pouco numa reportagem da Sic Radical sobre o Festival Porno de Barcelona. O entrevistador atira-lhe ao pelo a perguntar-lhe qual o tipo de mulher que o entusiasma e com quem está disposto a contracenar. Ron Jeremy diz que que não é esquisito, nem tem fastio, e que se limitava a usar técnica do espelho e que andava sempre com um espelhinho no bolso. O entrevistador ficou curioso, e o suíno do Ron explicou-se: “ponho-lhes o espelho à frente da boca, se sai bafo, pra mim está viva e marcha!”

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