13/01/05

Seinfeld, Uma Sitcom Genial, por BeloZebú

Há dias, em conversa de café, o Satânico do Automotora disparou-me que detestava o Seinfeld. Finquei-lhe um olhar de admiração e espanto e prometi-lhe um Post de vingança. Aqui está.

O Seinfeld é uma Sitcom Genial. Quem disser o contrário tem que se haver comigo. Até porque preciso de justificar as dezenas de noites em branco que passei a ver o Televendas só para poder gravar em VHS, a primeira passagem da série, lá prás 4 da matina na TVI. Estamos perante um fanático, portantos, haja respeito!

O maior lugar comum sobre o Seinfeld, é de que se trata de uma série sobre NADA. Nada, os tomates. É obvio que os temas são multifacetados e está ali TUDO, o que é o lugar comum logo oposto ao NADA e que vai dar no mesmo. Ainda há dias no “Público” andava um gajo com esta lenga lenga, sem conseguir adiantar grande coisa à coisa dita cuja.

Pra mim definir o Seinfeld é fácil. Não é o Nada, não é o Tudo, é apenas e só uma sitcom sobre Um Grupo de Amigos de Longa Data na sua vivência normal. Até aqui o gajo do “Público” também chegou. Contudo, igual ou semelhante a tal grupo de amigos, deverá haver milhentos por esse mundo fora e centenas pelas Sitcom adiante. Contudo há algumas especificidades de monta que são dificilmente repetíveis, quer na Sitcom, quer no Mundo.

A primeira é que se trata de um grupo de amigos na casa dos trintas que se vê com regularidade quase diária e desde há dezenas de anos. Isto é a Antiguidade. O que, parecendo fácil, não o é, porque nessa idade e até lá, somos em regra assaltados e ultrapassados por obrigações profissionais e familiares que nos cilindram e obrigam a deixar pra lá os amigos.

A segunda é o Sentido de Humor dos cabrões. Tudo serve de arma de arremesso, tudo lhes dá para rir, tudo serve para gozar com o outro, tudo serve para invectivar o outro. Isto parecendo mais uma vez fácil, também não o é. A vida marra de frente connosco e os amargos de boca não deixam em regra que se chegue aos trinta ou aos quarenta com vontade de brincar ou rir. Menos naqueles cabrões que conservam e cultivam por completo o típico humor adolescente com algum humor inteligente à mistura.

A terceira especificidade da corja é o Perdão. Este, por tudo quanto vai dito, mais irrepetível é ainda. Em qualquer episódio há uma tropelia, maldade ou malvadez que um deles faz. E que o outro sofre. Contudo, mais peripécia, menos peripécia tudo se releva e perdoa. A força da amizade entre eles, alicerçada no sentido de humor, faz ultrapassar qualquer dor ou divergência. Há alguma unanimidade da Critica e os Autores exploravam e proclamavam isso mesmo, que no Seinfeld a amizade deles é uma amizade interesseira, superficial e invejosa. Ou seja estão ali os Maus e não os Bons. Eu discordo profundamente. De interesse, inveja e superficialidade, todas as amizades sofrem um pouco e ali acontece o mesmo, contudo não é assim que se mantêm amigos ao longo de dezenas de anos. Para isso, tem que haver cumplicidade, comunhão e memória comum, ou seja, elos de aço, daqueles com força tal que não enferrujam com o tempo. Muito menos se quebram. Eis o Seinfeld.

Isto posto (dou de barato e nem vou por aí), passo por cima da inteligência dos diálogos e dos argumentos, da excelência dos actores, da eterna identificação com os cromos que nos rodeiam, e da constatação de que em quase todas as situações já passámos por ali.

E aqui chegados, resta-me dizer que, Não sei se repararam, mas tenho estado a descrever a malta aqui do Tapornumporco e da Confraria Satânica. Qual Seinfeld, qual carapuça. Automora Kramer vem a meus braços meu filho!

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