24/02/05

Ódios de Estimação: Os Comedores de Tartexes, por ZéCritério

De entre todas as possíveis espécies de compinchas de restaurante, há uma espécie nojenta que me faz sair do sério e explodir de irritação. Mais do que os Bebedores de Guaraná para acompanhar um Bacalhau à Lagareiro, pior ainda do que os Mastigantes de Pão, que limpam cestos sucessivos ao preço de euro o bico farináceo, e mais até que nefandos Comedores de Manteiga, os Comedores de Tartexes mexem-me com as tripas e são um dos meus ódios de estimação.

Tartexes são aquelas embalagens redondas e achatadas com uma pasta colorida e cheiro de sardinha podre depois de três dias de secagem ao sol, e com nomes tão pomposos como Paté de Sardines, Paté de Atum ou quejandos. Tais merdunças são fabricadas a partir dos restos de peixe, cabeças, escamas e espinhas incluídas, que sobram das fábricas de conservas de sardinhas e atum, e que após tritura e adição de farináceos leva um cheirinho de corante e aromatizante. Um nojo, em regra cobrado ao preço do caviar dinamarquês de arenque. Repescando o Xiita: “Eu cago melhor que isso!”

Estamos num excelso restaurante a salivar pelas iguarias encomendadas e em regra há sempre uma alimária que afinfa nos Tartexes. Saio do sério, faço questão de separar aquela merda na conta e debitar ao energúmeno. Digo-lhe daquela merda todo o piorio que o Maomé nunca se atreveu a dizer do toucinho. Conheço mesmo casos de gajos doentes que limpam os tartexes todos com pão, sempre com muito pão e depois deixam ir para dentro a maior parte dos filetes de polvo que pediram. Até espumo de raiva. Sacanas. Será que tal gente ignora que aquilo se vende ao quilo e a cinco tostões em qualquer mercearia de esquina? E gostam daquilo? Nojentos. Abaixo os Comedores de Tartexes!

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