21/02/05

Eleições de Retórica, por Sitting Bull

1. Vamos então ser processados. Nós, o povo português. O Santana anunciou, antes das eleições, a intenção de processar as empresas de sondagens que davam o PSD atrás do PS. Nenhuma, contudo, foi tão longe como a sondagem a sério, a das próprias eleições. O processo ao povo que deu 27% ao Santana e quase 60% à esquerda é, pois, inevitável.

2. Santana não se foi embora como a maior parte de nós, os portugueses, queríamos e lhe dissemos expressamente. E justificou: «com o mesmo resultado destas eleições, o PSD até já ganhou outras eleições». É fantástico: é como se o Artur Jorge (acho que era o treinador da altura) viesse dizer, depois de apanhar os fatídicos 7-1 com o Celta de Vigo, que «não é grave pois o Benfica até já ganhou outros jogos marcando o mesmo 1»!

3. Sócrates começou bem. Logo no discurso de posse afirmou que «ia governar para todos e não contra ninguém». Mas onde é que já ouvi isto? Governar é, por natureza, afrontar interesses instalados. Ao ouvir isto, veio-me à memória a figura de um patusco ministro do guterres que se juntou a uma manif de agricultores que protestavam contra a política do seu ministério. Se alguma coisa caracteriza uma possível ideologia do guterrismo é, precisamente, esta mania de agradar a gregos e a troianos. Já tínhamos saudades: eles aí estão!

4. A subida eleitoral do PCP confirmou as suspeitas: o Jerónimo ganhou mesmo o debate. Foi ele quem melhor falou.

5. Acabou-se a polémica da co-incineração. Sócrates ganhou por goleada a Coimbra! Dada a estrondosa votação no PS no distrito de Coimbra, fica Sua Excelência legitimada para fazer avançar a co-incineração na cimenteira de Souselas. Digo-o com tristeza e sem ironias. Sócrates tem toda a legitimidade para vir dizer que se não avançar com a co-incineração trai uma promessa que a própria população de Coimbra ratificou com o seu voto. Proponho que se calem em Coimbra aqueles que protestaram até hoje contra a teimosia do engenheiro com nome de filósofo. Coimbra merece a co-incineração! Merece mais, ainda: uma central nuclear – inteiramente segura e validada por uma Comissão Científica de encomenda - vinha mesmo a calhar. E, já agora, uma rede de lixeiras na periferia da cidade ficava a matar. Podíamo-nos candidatar a capital Nacional do Lixo. Acho que ganhávamos e merecemos o título.

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