14/02/05

O Mistério das Putas, por AlquimistaDaDor

Sim de facto, porque vai um homem às putas? Antes de mais porque é fácil, e barato, e como dizia o Pyros não há compromisso. O rapaz vai lá, descarrega e tá feita. Não há casório, gravidez, dia seguinte, aturar o paleio, a sogra, o sogro, a dor de cabeça, etc, etc. Simplicidade, Liberdade e Barateza.

Obviamente deixemos de lado as taras. Os gajos que lá vão para lhes bater, para que lhes batam, para lhes lamber os sapatos, pedir que lhes cuspam ou que lhes belisquem as sobrancelhas, não são para aqui chamados. Há gente para tudo, mas não é por aqui, até porque para esta gente as putas são um acidente e um acessório. A tara é que conta, não é a puta. E quando a puta conta, a ida lá para a satisfação da tara, advém sobretudo do que apontou o Pyros, a Liberdade da coisa.

Contudo, há algo mais, há algo de mítico que atrai na puta, seja ela de salão seja ela de estrada. Há um mistério em cada puta. Há uma mística especial, por mais velha, feia ou nojenta que seja a madalena e que atrai o homem. A aura de força. De um ser especial. Os tomates. O Porquê. Todo o homem é pai, filho, ou irmão. E o homem não vê ali a irmã, a filha ou a mãe, a não ser o verdadeiro filho da puta, mas esse aqui não conta. Em cada puta um homem vê mistério e vê-se a si mesmo, ou pior ainda, não se vê a si mesmo e fica atraído com muito mais força. Uma puta para dar em puta tem que ter força, tem que ter tomates, tem que lutar contra muitos e contra todos, o que essencialmente é uma característica de macho, seja ele homem ou mulher, e uma puta para ser tal, tem que se transcender como mulher e como ser humano. Há ali força, há amarras quebradas, há amarras novas e indizíveis, invisíveis e misteriosas. Há ali um ser novo, muito para lá que jamais imaginamos e sobretudo, disponível.

Como foi?, Como a tem? Como ali está?, porque ali está?, de onde vem e para onde vai?, tudo é um mistério intenso e apelativo para o homem. Ali está ela, disponível para quem queira, sem compromissos e por baixo orçamento. Um ser notável que transpôs qualquer coisa da fronteira social e que ali está para ele, à mão de semear. Disponível e oferecida. Misteriosa. Irresistível.

E não eu nunca fui às putas. Mas não resisto a olhar para elas na estrada, por mais feias que sejam e a tentar adivinhar o mistério que lhe está por detrás. E não, não é o David Attenborough que há em cada um de nós. Vai pra lá disso. É a necessidade de comungar, de saber e de beber daquela força. Resisto por armadura higiénica, social, moral e intelectual, mas a atracção está lá.

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