19/02/05

O Voto Litoral, por Periférico

O Der Spiegel disse-o de forma lapidar, esta semana, mais palavra, menos palavra:
Os Portugueses sentem-se defraudados. Nem Sócrates nem Santana estão preparados para governarem o país. Um é o rei da vida nocturna lisboeta e um demagogo profissional. O outro não fez rigorosamente nada que justificasse a sua candidatura ao cargo de primeiro ministro.

Ver de fora ajuda a ver melhor, como é mais uma vez o caso. Apesar de tudo, discordo na parte que diz respeito ao Sócrates: não acho que ele não tenha feito nada para se candidatar a primeiro ministro. Acho, pelo contrário que ele fez pouco… Mas muito mau. E que o pouco e mau que ele fez – a teimosia da co-incineração, o discurso redondo e vazio, a inanidade do seu programa eleitoral, o ataque à classe média, as más companhias - desanconselham vivamente a sua candidatura.

Mas não importa. O facto é que o Der Spiegel acerta na mouche: estamos tramados com dois péssimos candidatos a primeiro-ministro. Neste contexto, já não chega votar em branco. É pouco. É preciso votar, votar contra o centrão cinzento, traduzir o nosso descontentamento num voto contra estes dois homens. É imperioso que nenhum deles tenha a maioria absoluta.

Como o Santana não corre esse risco – felizmente - e o Sócrates já ganhou – infelizmente – resta-nos minorar os estragos: impedir que PS homem governe com maioria absoluta. E é por isso que não se pode votar em branco nestas eleições, embora apeteça. De esquerda ou de direita, católicos ou muçulmanos, góticos ou betos, gordos ou magros, todos temos que votar. Num partido das franjas: no Bloco, no Jerónimo, até no Portas. Pode ser que o próximo governo caia daqui a 6 meses. Pode ser que os grandes partidos abram os olhos e que corram com os dupont/ds que lá caíram vindos sei lá de onde. Pode ser que daqui a seis meses esteja alguém capaz no lugar destes dois. Pode ser…

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