29/03/05

Sangue, Sémen e Enxofre, por SumoSacerdote

Um dia destes - tinha eu acabado de fazer este Post – ia a caminho do Ranhoso, remoendo em tramas bíblicas. Eis se não quando me salta ao caminho uma senhora bem posta, que se destaca de um grupo idoso e bem vestido, e que de imediato me interpela de Bíblia em riste:
“- Deixe-me ler-lhe um pouco da Palavra do Senhor…”
"- Ora nem mais, minha Senhora, abra aí no Génesis-38-1, se faz favor – disse eu parando e apontando a Bíblia – e leia-me o episódio do Onan, O Masturbador e da Tamar, A Prostituta…
A matrona nem me deixou terminar, caiu-lhe o queixal, afixou um olhar de enojada e fugiu a correr como se tivesse visto o anti-cristo envolto em enxofre.

A velha enxofrou-se, mas não fui que a enxofrei. A coisa tá na Bíblia e ela só teve o galo de me apanhar com a dita fresquinha. E pelos vistos, também ela já tinha ouvido falar do Onan, - não confundir com Conan, até porque o homem não ia por aí. O Onan é uma personagem bíblica que deu origem ao termo Onanista. Não sei se foi daqui que Salvador dali tirou O Grande Masturbador, mas o Onan é tido como tal. E o seu nome e o pecado do onanismo, ficaram para todo o sempre associados a uma ideia de tabu, de crime e trangressão que pouco ou nada têm a ver com o que vem na Bíblia. Era isto que eu queria dizer à velha e reflectir com ela sobre isto. Não quis, ficou ela a perder. Adiante.

Em prejuízo do coitado do Onan e da nobre actividade de caiar tectos antigos, a Igreja aproveitou o episódio, para condenar às chamas do inferno gerações inteiras de onanistas, que com ameaças de chamas ou não, jamais desistirão, porque a coisa arde e só se apaga com fogo de vista.

Contudo, o pecado do Onan não foi andar naquilo ou só naquilo, nem Deus o ameaçou de que lhe atava as mãos atrás das costas. O único pecado que o Onan fez, foi não violar a cunhada. Se o Onan tivesse saltado prá cueca à cunhada – como Deus queria que ele fizesse - hoje não haveria onanistas, mas sim outra coisa qualquer. Onan apenas incumpriu a Lei do Levirato que obrigava o irmão do falecido a casar com a cunhada viúva, no caso a viúva Tamar. O episódio bíblico não reprova a masturbação, mas sim a violação da Lei do Levirato.

Ora, o Onan que era onanista, mas não era parvo, recusou-se a ir por ali. E sempre que Deus lhe exigia o cumprimento do débito conjugal, o Onan que já era contra essas coisas dos bancos de esperma, fertilizações forçadas e coiso e tal, zás, preferia caiar os tectos e mandar a semente às urtigas. Deus não lhe perdoou e chamou-lhe Onanista. E limpou-lhe o sebo. Daí que ainda hoje se diga que aos rapazinhos que isso mata – também dizem que faz cegueira, mas essa não vem na Bíblia e não sei de onde vem – e Deus de facto, matou o Onan. Tamal!

Tamar, a cunhada do Onan, ficou viúva porque o Senhor resolveu matar o marido Er, que tinha desagradado ao Senhor. A Bíblia não diz qual foi o desagrado, mas isso não interessa para aqui até porque por ali, o Senhor matava amiúde. E vai daí:
“Então Judá disse a Onan: “Casa com a mulher do teu irmão, pois é essa a tua obrigação como cunhado, para dares descendência ao teu irmão.” Mas Onan compreendeu que essa descendência não seria a sua e, quando se aproximava da mulher do seu irmão, derramava no chão o sémen, a fim de não dar descendência ao seu irmão. A sua conduta desagradou ao Senhor, que também lhe deu a morte.”

Em abono do Onan, diga-se além do mais, como adiante se verá, que a cunhada, Tamar, não era boa rês. É que no episódio seguinte, não tendo conseguido sacar os espermatozóides do cunhado – o que já leva a imaginar o mastronço que ela não seria - a Tamar resolve sacá-los ao sogro, o putanheiro Judá, numa sequência que hoje em dia daria uns anitos de prisão.

Reza assim a coisa: “Então tirou as vestes de viúva, cobriu-se com um véu e sentou-se à entrada de Enaim, no caminho Timna (…). Ao vê-la, Judá tomou-a por uma prostituta, porque tinha a cara coberta com um véu. Aproximou-se dela e disse-lhe: “Deixa-me ir contigo”. Pois ignorava que ela fosse a sua nora. Ela respondeu: “O que me darás para vires comigo?”. Judá respondeu: “Mandar-te-ei um cabrito do meu rebanho”. Tamar replicou: “Está bem (…)”. Judá uniu-se a ela, e Tamar concebeu um filho. Depois, levantando-se, partiu e tirou o véu da cabeça, voltando a vestir as roupas de viúva.”

Temos assim que o acto solitário que alivia e não chateia ninguém é punido com a Morte. Já a puta incestuosa da cunhada e o putanheiro fodilhão do sogro são recompensados com um filho e um neto, mais cabrito, menos cabrito. Onan deve ser dos gajos do Inferno mais injustiçados da Criação.

Agora pensem nas vossas cunhadas e imaginem uma voz vinda dos céus a vociferar:
“ - Rapaz, tens que ir por ali!”.
É o vais…, Antes a Morte, que tal Sorte.
Quem nunca fugiu do mastronço da cunhada que atire a primeira pedra.

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