13/04/05

A Eterna Nojeira, por BeloZebú

Para o pessoal que não é de Coimbra, aqui fica o esclarecimento breve. Está em construção em Coimbra um empreendimento junto ao rio Mondego com vistas e situação magnífica, e que se estende em banda de dupla fileira de torres. Estão a vender aquilo a 740 contos o m2. A coisa em si já é uma aberração pela volumetria descomunal que apresenta e que abafa por completo o novo parque do rio recém construído. Para quem vê a cidade do outro lado do rio, a coisa ainda é pior. Parece que a cidade está muralhada. Uma nova muralha da China. Deve ser para atrair visitantes tipo Portugal dos Pequenitos.

A coisa chama-se Jardins do Mondego e é um empreendimento de um Fundo de Investimento Imobiliário do grupo Caixa Geral de Depósitos (Fundimo) e está a ser construído pela multinacional espanhola Ferrovial. Não estamos assim perante o Zé das Berças, o Chico esperto, ou o Pato Bravo cá do sítio. Saliente-se que a coisa já tem o índice de construção majorado em 20% (o máximo permitido) porque os anteriores donos deram terreno para o novo ajardinamento em frente ao rio.

Mas isto não lhes chegou, e vai daí a Dona da Obra tratou de meter mais um piso, o Oitavo, em cada uma das torres da coisa. Como a avantesma de betão tem qualquer coisa como 7 torres à frente e mais 7 de dupla entrada atrás, a monstruosidade só com o Oitavo andar, acrescenta cerca de 42 novos apartamentos. Acontece que a besta imunda só está aprovada até ao 7 piso. O Oitavo é um extra que a Dona da Obra resolveu oferecer a si mesma. Cerca de 42 novos apartamentos de brinde.

O PCP e o BE saltaram a terreiro e têm berrado que se farta. A dona da obra está calada que nem um rato, suspeitando-se da segurança e do desplante com que fez uma coisa daquelas em pleno centro da cidade. A Câmara já fala em resolver rápido a situação para acabar com a polémica e aprovar o projecto de alterações que a Senhora Dona da Obra já lá meteu.

Em face das dezenas de situações de garagens, currais de galinhas, muretes, casas de habitação particulares, que conheço pessoalmente e que a Câmara com mão de ferro têm embargado, multado e obrigado à demolição efectiva, apetecia-me desatar a adjectivar por aqui a fora, mas deixo isso para vocês nos coments.

Deixo-lhes só um número por alto. Cerca de 14 torres, 7 das quais de dupla entrada (mais coisa menos coisa), com cerca de 160 m2 cada uma e todas com um Oitavo piso a mais, a 740 contos cada, dá qualquer coisa como DOIS MILHÕES CENTO E TRINTA MIL CONTOS a mais de facturação bruta só nesse Oitavo piso.

Forte com os Fracos e Fraca com os Fortes. Como sempre. É preciso que algo mude para que tudo fique na mesma. Como nunca. Adjectivem, que eu estou enjoado.

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