09/04/05

R.U.C. 107.9 – sempre no ar!, por Tifoso

Aproveito o precioso espaço do Tapor, para deixar aqui a minha sincera homenagem à malta que faz os relatos da Académica na R.U.C. Aquilo é tudo o que um relato deve ser: é o contrário de todos os outros relatos das estações de rádio nacionais. Os comentadores da RUC são honestamente parciais e tendenciosos, querem sempre que a AAC ganhe, berram muito nos nossos golos e se pudessem nem referiam os dos adversários e isso é bom.. Gozam com os adversários, principalmente se forem os rivais União de Leiria e Beira Mar, mas também com os artistas da casa, estão sempre a rir por tudo e por nada o que deixa no ouvinte a sensação de estar com os amigos no café e não a ouvir lenga-lengas forjadas de profissionais do microfone…
Nos relatos da RUC fala-se sempre em coisas que não o jogo, mas que são tão importantes como o jogo que vai decorrendo como se fosse um ruído de fundo. Assuntos sérios, como por exemplo, a última ressaca dos comentadores, a gaja gira da bancada central, a namorada deste ou daquele, a churrasqueira de Vila das Aves onde um dos participantes do programa comeu muita bem e barato, as alcunhas dos artistas e dos misteres, a pronúncia dos adeptos das equipas do norte, as ameaças das claques das equipas adversárias, especialmente a do Rio Ave, etc, etc. E nuca sabemos quanto é que está o jogo porque como eles estão entretidos a falarem de coisas verdadeiramente divertidas esquecem-se completamente de nos informarem, a não ser quando se chega ao minuto 69, invariavelmente assinalado com gemidos, que é quando se lembram de fazer o ponto da situação.
A grande vantagem de ouvirmos a bola na RUC é que por aqui ninguém morre cardíaco e rimos o tempo todo. Os relatadores e comentadores da RUC devolvem o futebol à sua real expressão: a de um simples jogo. E como isso é pedagógico neste país de futebol, futebol, futebol… Não é como aqueles gajos de outras antenas que comentam as incidências do desafio como se falassem do decisivo desembarque das tropas aliadas na Normandia. E no fim gozam sempre: com os treinadores – foi pena a demissão do Luís Campas do Beira Mar que era uma das grandes minas de ouro da casa - , com os adeptos, com os jogadores – memoráveis, as entrevistas ao Tixier, um francês cultor do vernáculo portuga! - , com os ouvintes o tempo todo…
Quando estou em casa ao Domingo nunca perco estes relatos. Nem que o jogo não interesse ao menino Jesus. Os relatos da RUC valem por si mesmos ainda que o adversário da Briosa seja o Cascalheira e o jogo esteja 10-0. Isso não tem importância nenhuma. Com os relatos da RUC o futebol perde o peso da seriedade e ganha uma dimensão lúdica e de diversão que parece ter-se perdido numa boa parte dos media portugueses. Mas porque é que nenhum director de informação de um media qualquer ainda não viu isto - que esta é que é a maneira saudável de viver e comunicar uma partida de futebol?

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