09/05/05

Ivo e os Terríveis, por Hassassan

Primeiro ponto, para que não venham dizer que estou a desculpabilizar o rapaz: o Ivo cometeu, obviamente, uma asneira monumental quando decidiu ir fumar ganzas para um país, o Dubai, onde existe uma moldura penal de 3 a 5 anos para um «crime» daqueles. É estúpido, não há dúvida, arriscar o pescoço desta maneira. Eu, por exemplo, gosto de uns bons tintos, como todos nós aqui no Porco. Mas se viajasse para um país de idiotas que punisse com 3 anos o desgraçado que fosse apanhado a beber, das duas uma: ou não ia para lá – se não pudesse passar sem o precioso tinto – ou, indo, não tocava numa gota de álcool. Simples. O Ivo resolveu armar em esperto e foi fumar hash pró Dubai. Fez mal.

Dito isto, creio que não podemos, ficar por aqui e achar que o rapaz tem o que merece. É claro que não tem. É uma estupidez que alguém – muito mais um cidadão oriundo de uma cultura que não só tolera como até fomenta o consumo de hash (basta passar um dia em Amesterdão) – seja privado da sua liberdade durante 3 ou 4 ou 5 anos, simplesmente porque deu umas passas. Aquilo é desmesurado e não me venham falar de relatividade cultural. Durante, pelo menos, um século, nós, Ocidentais, martirizámo-nos com as atrocidades que fizemos a outros povos. Como durante séculos e séculos tratámos os outros como «pretos», «monhés» «bárbaros» e «rústicos», caímos no extremo oposto da relatividade cultural. Num certo discurso muito em voga, ainda hoje, as atrocidades que não permitimos aqui, entre nós, são olhadas com brandura em nome da relatividade dos valores das diferentes culturas.

Está na altura de voltarmos a pensar sem os complexos de culpa de antigos colonizadores. É preciso dizer que apedrejar mulheres até à morte acusadas de adultério – quando muitas vezes vivem uma situação de união de facto, após terem sido abandonadas pelos maridos – como fazem no Afeganistão ou na Nigéria; que mutilar ou atirar ácido à face de mulheres indefesas, como fazem na Índia ou no Paquistão; que fazer trabalhar crianças em condições desumanas desde os 4 anos, como se usa na China ou manter a escravatura, como acontece no Iémen ou na Somália; que condenar à morte um indivíduo porque escreveu um livro «blasfemo»; que prender outro porque comeu carne de porco, etc, etc, etc, nada disto é relatividade cultural. Tem outro nome: é pura e simples selvajaria. Já não lembra a ninguém defender o canibalismo como traço genuíno identitário da cultura da Nova Guiné. Já tratámos de abolir, tal coisa, como monstruosidade que é. Então porque é que teimamos em ser tolerantes com outras selvajarias idênticas só porque têm a cobertura da religião ou da tradição ou de outra bizarria qualquer?

É preciso sublinhar que a conclusão a retirar do infeliz episódio do Ivo no Dubai, não é tanto a imprudência de um indivíduo habituado à liberdade que se vive no Ocidente, mas a marca da incultura, da intolerância e do fundamentalismo daquela sociedade. E não deixa de ser irónico que, estando o Dubai a apostar fortemente no turismo, com as suas mega-campanhas de promoção que envolveram desportistas como Figo há uns tempos atrás, ou Agassi, Federer e Tiger Woods, mais recentemente, dê agora um exemplo de intolerância deste tamanho. Mas há por aqui alguém no seu perfeito juízo que ainda queira ir fazer férias ao Dubai?
(post escrito ao som do prodigioso Ravi Shankar)

2 comentários:

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