17/05/05

Los Caliqueños, por Fidel Casto


- Pssst…, hombre, vengo da parte de Manolo…
- Manolo? Manolo Coño?
- No, tio, Manolo Cojones…
- Ah, muy bien, e para quê?
- para Caliqueños, por sepuesto…
- vale, vale, e quantos quieras?

Era assim, mas agora já não é. Os Caliqueños, charutos puros artesanais em forma de meia-lua, típicos da Comunidad Valenciana eram clandestinos, perseguidos pela Guardia Civil e pelo Fisco espanhol, devido ao monopólio da Tabacalera. Vendidos à sucapa como droga.

E era de bar em bar e de quiosco em quiosco, que o nosso Basco de serviço corria Valência e Castellón, com recomendações, santo e senha, para nos arranjar alguns Caliqueños. Tarefa perigosa que o clandestino desempenhava com gosto e risco.

Nas primeiras Provas Cegas de Tintos da Confraria, lá para os idos de 98 e 99, era da praxe o basco sacar da saca de papel almaço de Caliqueños e distribuir pelo pessoal. A malta ganhou-lhe o gosto e era ver a mesa inteira a esfumaçar. Ver, ver só no inicio da esfumação, porque 2 minutos depois já ninguém via ninguém no restaurante. A nuvem densa e negróide alastrava e instalava-se.

Houve vários sítios que nos proibiram os Caliqueños, mas outros houve em que até nos pediam dose dupla, única forma de afastar comensais mais retardatários ou que ameaçavam cantar e guitarrar. Por vingança e ódio puro a murcões de mesas ao lado, a Confraria até inventou a Sincronizada, que consistia no lançamento simultâneo de pesadas baforadas. Imaginem 10 ou 12 cheminés a debitar ao mesmo tempo como locomotivas a vapor e terão uma visão muito próxima da Sincronizada. E do inferno. Muitas vezes conseguimos até ficar sozinhos no tasco. Até os empregados vazavam.

Agora, com a União Europeia e o mercado comum a funcionar em pleno, os Caliqueños já foram legalizados. Perdeu-se a mística. E perderam-se as sincronizadas depois de algumas cenas memoráveis na Cova do Finfas, no Batina e no Peleiro, em que cada uma vale um novo post de per si.

O advento anti-tabagista também se instalou de vez na Confraria e até já cá temos alguns marrões de serviço, que só mereciam era uma Sincronizada nas bentas. Infelizmente, não tenho companhia. Nem Caliqueños.

Sem comentários: