12/05/05

O Hélio, por AdvogadoDoDiabo

Mais uma Oficiosa que chega pelo correio. A Ordem pode e a Lei manda. O advogado aguenta e faz segurança social sem que ninguém lhe pague. Irra, de novo um processo crime de burla qualificada em transportes públicos. Outra alimária que não pagou o bilhete de 50 cêntimos. Paciência de santo. Mas estes pelo menos não vêm chatear para defender o indefensável. Pagam à empresa e zás, acaba-se com a coisa sem grande trabalho. Qual quê!

- Coméqué Srª Engª, não quer pagar o bilhete do autocarro? Quer ir a julgamento com isto?
- Exactamente, Sr. Dr.!
- Atão, mas a Srª Engª não reconhece que não pagou o bilhete do autocarro? Olhe que vem aqui o fiscal, o condutor e o polícia como testemunhas, são todos mentirosos?
- Não senhora, está bem, eu na altura na tinha bilhete no autocarro, mas a culpa não é minha, é do Hélio!

Ora, porra mais um processo levado do catano pra perder horas infindas de volta disto quando se podia resolver em três penadas…

- Ó Srª Engª, olhe lá, mesmo que isto seja culpa do Hélio e a Engª não tenha culpa nenhuma, veja que há sempre o risco da prova e do julgamento, e por 70 euros a Srª paga o bilhete e a multa e a empresa desiste da queixa que eu sei, veja lá o risco!
- Ó Sr Dr. é uma questão de honra, a culpa é do Hélio não é minha e não vou assumir uma culpa que não tenho!
- Seja, a Sr Engª é que sabe! Chama-se o Hélio ao barulho!
- Ao barulho, Sr Dr?
- Pois, diga-me lá o nome, estado civil e morada desse tal Hélio para o meter aqui como testemunha de defesa.
- Ó Sr Dr, o Hélio é o gás!
- O gás? Qual gás, atão não foi o Hélio que a impediu de comprar bilhete?
- Foi Sr Dr, mas foi o gás hélio.
- Ó valha-me deus, atão mas coméque o gás a impediu de comprar o bilhete?
- Ó Sr Dr é que eu sou a engenheira responsável pelo armazém da fábrica e nessa altura houve no armazém um fuga de hélio, que só descobrimos depois e que teve como efeito eu esquecer-me de algumas coisas, tá a ver…, a culpa foi do hélio!
- Atão, mas isso não é o gás que dá só para rir?

Escangalhei-me a rir e a Srª Engª ficou ainda mais séria e ofendeu-se. Jurei-lhe que jamais levaria aquela defesa a julgamento porque matava de riso o juiz. A Srª Engª não se riu, foi-se queixar à Ordem, e a mim passou-me a vontade de rir quando tive que me defender de um processo disciplinar por recusa de patrocínio oficioso. Maldito hélio. Sem qualquer vontade de rir.

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