04/05/05

O Rafa e o Zé, por Rafael José

Pois é. O Rafa lá fodeu o Zé. Que é como quem diz, Rafael Benitez, treinador espanhol do britânico Liverpool, arrumou com o Zé Mourinho, treinador portuga do também britânico Chelsea. Por mim, gostei. O futebol, às vezes, consegue ser um jogo moral comó caraças.

O endeusado Mourinho construiu uma carreira à custa de tácticas ultra-defensivas, com 11 gajos estacionados em frente à grande e saída no contra-ataque e a que os experts do assunto chamam «futebol científico». Foi assim que eliminou o Manchester United e, acima de tudo, o Corunha, que teve 70% de posse de bola no jogo da segunda mão, o ano passado. Com este futebol ultra-defensivo e anti-espectáculo lá chegou à final da Champion League do ano passado que acabaria por vencer. Já este ano, conseguiu eliminar o Barcelona da mesma maneira e no campeonato inglês o Chelsea é considerado uma equipa que não dá espectáculo, embora seja mortalmente eficaz. Pessoalmente não consigo aturar mais que 10 minutos daquilo, apesar de quase ser forçado a fazê-lo, tão forte é a insistência patrioteira da comunicação social nacional, sempre a bater-nos com os feitos do Zé.

O tipo de futebol praticado pelas equipas orientadas pelo Zé tem, contudo, um problema, até para ele próprio: a sua grande capacidade reprodutiva. Este futebol de andar ali a correr atrás da bola e chutar pró avançado, não exige grande talento, mas sobretudo raça, garra, abnegação e assim que começa a dar frutos, há logo 200 clones a copiá-lo. É uma espécie de bola de neve que só será travada no dia em que aparecer, finalmente, um onze de talento que consiga dar a volta áquilo. Ainda não foi desta: o Liverpool é – ou foi – uma equipa da mesma linha das do Zé, um efeito mimético do mesmo estilo pobretana de jogar à bola. Mas a sua vitória, ontem, não deixou de ser uma lição, para quem conseguiu chegar ao top a jogar futebol sem alma nem vocação ofensiva. Ser eliminado nas meias finais da liga com a mesma receita que, metodicamente, foi aplicando aos outros, áqueles que têm mais talento e fazem as despesas do jogo, arriscando jogar ao ataque, foi um balde de água fria para o Zé. Mas foi merecido. No fim foi giro ver o Zé a falar da moral do jogo e que a melhor equipa não ganhou e que o Liverpool só jogou à defesa e o árbitro, etc e tal…. Zé no seu melhor, com a típica amnésia que já lhe fez esquecer como é que ganhou títulos e conquistou taças. O futebol, às vezes, parece mesmo uma lição de moral…

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