06/06/05

Um País Exótico, por AzulMagiar

Há dias na Antena 1, num programa de entrevistas a pessoas de rua dos novos países da União Europeia, dei comigo a estranhar a expressão repetida de dois húngaros que se referiam a Portugal como “um país exótico”. E repetiam a coisa, gostavam de Portugal por ser um país Exótico!

No Dicionário “Exótico” vem como aquilo que é estranho e extravagante. E dei comigo a pensar no que é que um húngaro viu por cá, para nos apelidar de exóticos. Concerteza, vieram cá de férias e a partir dessa massa imensa de Palmeiras de Rotundas concluíram pelo exotismo da coisa. África e Arábia à beira-mar plantada com os indígenas a comerem tâmaras.

Ia a pensar nisto, quando reparo no Jacarandá da esquina do Magistério Primário cá em Coimbra. Sempre o primeiro a florir em toda a cidade e este ano ali estava ele de novo. A floração mais pujante de toda a cidade, que conforme a força da luz do dia vai variando do “azul estonteante” para o roxo extravagante.

Ora se há alguma coisa de exótico cá em Portugal e com profusão são os Jacarandás. Não sei que especial ternura levou os velhos marinheiros colonizadores a trazerem os Jacarandás cá para Portugal, uma vez que a sua utilidade para além da beleza da sua floração, é relativamente diminuta. Certo é que a partir do Mato Grosso brasileiro, a gesta lusa espalhou o “azul estonteante” dos Jacarandás por todo este rectângulo. Se calhar os húngaros estiveram cá em Maio e Junho de visita a Coimbra ou Lisboa, e zás, país exótico! Lisboa então, tem uma imensidão de Jacarandás, apenas batida na Europa pelo oceano azulado de Sevilla.

Os Jacarandás aí estão em plena floração de um arroxeado lindo que nos faz distrair dos incómodos eucaliptos e dos plátanos daninhos. A floração durará cerca de um mês até finais de Junho e há que encher o olho. O olho e a alma.

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