15/07/05

Resultados do Conccurso da Faculdade da Irrelevância Comparada, por Pelágio

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Conforme prometido, no post A Faculdade da Irrelevância Comparada, e depois de pedidos insistentes de várias famílias, o Porco publica agora os resultados do Primeiro Concurso de Erudição em Irrelevâncias da blogosfera. Temos, então, a seguinte classificação final:

Classificação Final:
1º - Cochabamba com 6 PONTOS.

2ºs - Zed e Zenão– com 5 PONTOS.

4º Viúva Negra - 2 PONTOS.

5ºs - Minotauro e Poeta Apaixonado - 1 ponto.

Seguem-se as interessantes explicações destes eruditos que, como se sabe,obedeceram a um aturado e esforçado trabalho de pesquisa bibliográfica. Comecemos pelas mais fáceis, acessíveis a um gajo de cultura mediana e a eruditos magricelas:

Fonética do Filme Mudo
É óbvia: tratandoa fonética do tema dos sons, não se percebe como é que se pode constituir uma disciplina dedicada a filmes que ignoram o som. Uma dúvida subsiste, porém: não deveria esta disciplina fazer parte da Oximórica e não da Impossibilia, ao contrário do que defende Eco? Eu acho que a Fonética do Filme Mudo é mais uma contradição nos termos que uma impossibilidade empírica.
Poeta Apaixonado

Agricultura na Antártida
É completamente Nonsense ?!?! onde se plantariam as couves , por cima do gelo heheheheeh

O Urbanismo Cigano
Completamente impossivel , não só os ciganos não cumprem comas regras minimas , como não existe nenhum urbanista que lá queira meter o nariz ...

Impossibilidade essa que resulta do facto de qualquer urbanismo pressupor o sedentarismo das gentes que acolhe e os ciganóis serem Nómadas por natureza, salvo seja a redundância de dizer ciganos nómadas que é quase pior que dizer Pastores Nómadas, uma vez que Nómadas vem do grego Nomos que quer dizer pastagens, logo Nómadas são os que andam de pastagem em Pastagem.
Cochabamba

Instituições da Revolução
As revoluções por si representam a rotura com o sistema e com as instituições vigentes, logo é contraditório. Zed
O Zenão acrecentou: Instituição da Revolução é uma contradição nos termos. Por definição, a revolução não tem instituições. Pelo contrário, visa destruir as instituições vigentes

Gramática do Desvio
Não existe. É uma impossibilidade. A Gramática pressupõe a existência de regras fixas de construção da língua. Os desvios pressupõem a abolição da regra ou pelo menos a sua ultrapassagem pela esquerda perigosa. Uma gramática do desvio é fixar regras para o Caos.

"Tecnologia da Roda nos Impérios Pré-Colombianos"
Referindo-se o "Colombianos" a Colombo e sendo que os Impérios a ele referentes deverão ser os Incas e os Aztecas e com mais distância (já não levaram no toutiço dos nuestros hermanos) os Maias, e ainda outros menores como os Toltecas e outros ecas que agora não recordo, que desconheciam e não usavam de todo a roda, sendo que as comunicações dos Íncas num Império que se estendia em distância similar de Lisboa a Moscovo eram todas feitas à pata ligeira.
Cochabamba

Hipismo Asteca.
É sabido que quando os espanhóis chegaram às paragens astecas montados nos seus cavalos, os nativos chegaram a pensar que eram seres híbridos com corpo de besta e cabeça de homem. É que os astecas não conheciam cavalos. O Hipismo asteca é pois uma impossibilidade.
Minotauro

Vêm depois algumas contradições que já não são para todos, já supõem mesmo uns quilinhos a mais de gordura intelectual:

Quanto à Estática Heraclitiana.
Vejamos,a Estática representa o imobilismo. Se nos referimos à Estática Heraclitiana estamo-nos a referir à filosofia que considera como prevalecente a mobilidade das coisas que é estática!!!

Dinâmica Parmenidiana.
É coisa que daria um ataque cardiaco ao próprio Parménides, que defendia que a mudança e o movimento são ilusões, ao contrário do que pensava o Heraclito, que não parava de repetir que estava sempre tudo a mudar e que por isso ia ficar também muito aborrecido com essa coisa da estática heraclitiana..

"Dialéctica Tautológica"
Outra impossibilidade gritante. A Dialéctica pressupõe uma evolução, a novidade, a diálise, a construção, a inovação e o movimento. Não há paragem ou repetição na Dialéctica.
Ao invés a tautologia pressupõe a repetição ad nauseam daquilo a que se refere, que não faz nem sai de cima limitando-se a repetir o mesmo padrão vezes sem conta.

E a dialética tautológica também é coisa de bradar aos céus, pois sabe-se perfeitamente que a tautologia consiste em repetir uma ideia com palavras diferentes, tito subir para cima, ou descer para baixo, o contrário da dialética, portantos

A "Espartânica Sibarítica".
É uma impossibilidade. Referindo-se o Espartânica aos Espartanos de Esparta da Grécia antiga, estes estafermos eram conhecidos e cultivavam a abstinência de quase todos os prazeres e uma filosofia de castigo e endurecimento do corpo, de despojamento mesmo, que supostamente não os distrairia do seu objectivo fundamental: a guerra e dar cabo do toutiço aos atenienses. Ao invés um Sibarita é um gajo que vive para o prazer, que os cultiva mesmo, e os saboreia com calma e sabedoria, sejam eles da mesa, ou do mais que for e vier. Um Sibarita vive para isso. Um Espartano vive contra isso.

Erística Booliana (ou Booleana)
Se a erística é a arte da subtileza, logo a (lógica) Booleana não tem nada de subtileza é muito concreta e racional.

Docimologia Montessoriana.
É uma coisa parva. A docimologia regula a elaboração de exames de avaliação de conhecimento, através de critérios objectivos, em tudo contrário, portanto, ao método Montessori, criado pelo gajo com o mesmo nome, e que defende uma educação livre baseada na individualidade e personalidade da criança.

O espelho é um pormenor de um quadro famoso do Van Eick Os Esponsais Arnolfini ou O Casamento dos Arnolfini. O espelho está na parede atrás e reflecte a cena. Um bocado à maneira das Meninas de Vélasquez.

Cochabamba está certa sobre a figura: o quadro é de Jan Van Eyke, 1434

Merecem ainda Menções Honrosas, o Goldmundo e o Cochabamba (um mister, mais uma vez!) por algumas sugestões excelentes de novas disciplinas para a Faculdade da Irrelevância Comparada. Foram os casos de Lógica Busheana (Goldmundo), da Escalada nas Maldivas, da Esquadra Naval de Gengis Cão e, sobretudo, da fantástica e brilhante A Modéstia dos Prognatas, estes últimos saídos do cérebro sinuoso do Cocha.

O Cochabamba foi, pois, o vencedor indiscutível deste modesto concurso. Havia um prémio que o mentor do concurso, eu próprio, incumbi desde logo,o Grão Mestre do Tapor de arranjar: uma «eventual» garrafita de wisky. No entanto, como suspeito que o Cochabamba que ganhou o prémio não é mais que um pseudónimo do nosso Grão Mestre não ganha nada a não ser que se ofereça a si próprio o «eventual wisky». E já estamos de novo na matéria da Oximórica...

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