24/08/05

Wallis: Danger Everywhere, por Marsapo

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Esta é talvez a campanha publicitária mais subtilmente erótica que conheço. Mais erótica, muito mais, que as imagens de gajas boazonas da net. As mulheres que aparecem na campanha da Wallis são fantásticas, sofisticadas, etéreas, distantes e sabe-se como a distância é um dos pormenores mais importantes da coquetterie. Hitchcok dizia que nunca lhe interessaram mulheres com uma sexualidade demasiado óbvia. Por isso a Ingrid Bergman foi a grande diva dos filmes do mestre: aquele ar de senhora respeitável, a forma clássica mas elegante de vestir, o olhar inteligente, chegavam e sobravam. É mais sensual um tornozelo da dama que os decotes óbvios da namorada do César Peixoto. E, realmente, uma pessoa pensa no que seria despentear, só despentear, a divina Ingrid e, bem, c`est uh…

Pois bem, as mulheres da Wallis, desde logo retratadas em anúncios de sóbrio preto e branco são assim, fazem-nos lembrar a Ingrid Bergman, possuem essa rara qualidade da elegância etérea que nos subjuga e arrasa na sua leve e pesada distância.

É isso que as torna perigosas. Os homens que as vêm descontrolam-se e podem mesmo matar-se (esta parte é inspirada na realidade porque, como é sabido, todos os anos, mais ou menos a partir da primavera, as oficinas de bate-chapas aumentam o seu volume de trabalho devido aos toques nas chapas dos carros cujos condutores se distraem ao verem passar as garotas). Nós homens, revemo-nos nos homens dos anúncios da Wallis – na sua debilidade, na sua completa subjugação à beleza distante e perigosa da mulher que passa na rua. Tornamo-nos pequenos, desastrados, tímidos e embaraçados. É sobretudo por esta imagem cruel mas real que estes anúncios dão de nós, homens, que eu gosto desta campanha, porque nela pressinto uma profunda verdade ontológica.
O que é mais impressionante: a beleza distante daquelas mulheres anónimas ou o arrepio que provoca a eminência da cabeça do revisor do metro que está prestes a saltar? No fundo, no fundo, somos todos revisores de metro embasbacados, e barbeiros desastrados. O perigo está em todo o lado.

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