26/08/05

Yellow Submarine, por Gringo

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Os comentadores desportivos nacionais ainda não perceberam muito bem o azar que teve o Glorioso no último sorteio da Champions League. Dizem que somos a segunda equipa do grupo, logo a seguir ao Manchester. Mal imaginam que a melhor equipa do grupo é, nem mais nem menos, o Villa Real, também conhecido em Espanha como O Submarino Amarelo, devido à cor das suas camisolas. Eu já conhecia a maior parte dos jogadores da equipa, principalmente os argentinos, dos quais fiquei com óptima impressão nos Jogos Olímpicos, nos torneios sul americanos e no mundialito da Alemanha. Mas acontece que, em Espanha, tive a oportunidade de ver os Submarinos fazerem gato sapato dos ingleses do Everton. Só vos digo: aquela equipa parece o Real Madrid do inicio da era Queiroz.

O onze base é o seguinte: Barbosa; Kronkamp, Gonzalo, Quique Alvarez e Arruabarrena; Senna, Tachinnardi (ou Josico) e Sorin; Riquelme, Forlan e Figueiroa; De fora ficam jogadores como Venta (lateral direito titular até à chegada de Kronkamp, esse mesmo que os tripeiros também queriam), Roger, José Mari ou Guayre. Como se vê, esta equipa de espanhola só tem o nome e a localização. No onze base, o único espanhol é Quique Alvarez, stopper competente e experiente, mas económico, como é hábito nos jogadores de marcação. Quanto ao resto, há uma comunidade de argentinos (Barbosa, Gonzalo, Arruabarrena, Sorin, Riquelme e Figueiroa (Lucho na camisola), um Uruguaio (Forlan), um brasileiro (Marcos Senna) e um italiano (Tachinnardi, ex-juventus).

A defesa gira à volta daquele que em Espanha já é considerado pela imprensa espanhola um dos melhores centrais do mundo: Gonzalo. Trata-se de um jovem argentino, rápido, duro, ágil, um pronto-socorro que vai a todas e que está em todo o lado. Gonzalo mata lances nas alas, como no centro e sabe sair a jogar. Não é muito alto mas tem um poder de elevação notável.

Dos outros defesas (não vi Kronkamp), salienta-se, como traço comum, a dureza e a eficácia. É difícil passar, principalmente pelo lateral esquerdo, Arruabarrena, que ainda por cima conta com a ajuda de Sorin, um dos melhores ala esquerdos do planeta, tanto a atacar como a defender. Quando é preciso, Arrubarrena encosta aos centrais e Sorin faz de lateral. Em situação de posse de bola, Sorin é médio-extremo e parece movido a pilhas duracel. Não é por acaso que é titular da selecção argentina há anos.

O meio campo conta com dois excelentes trincos: Tacchinnardi (que ainda não está em forma, mas é, indiscutivelmente, um jogador de classe) e o espantoso, Marcos Sena, um brasileiro que faz lembrar o melhor Makelélé. É o primeiro tampão defensivo, mas não se limita a virar o adversário. Desarma e sai a jogar, finta e passa com o mesmo à vontade na ala ou no meio. Aposto que em pouco tempo está no Real Madrid.

Na ligação defesa ataque, o Villa tem aquele que é, talvez, o melhor número 10 do mundo: o argentino Juan Riquelme. Riquelme merece um post à parte só por si. Enquanto jogou na Argentina foi considerado um génio, um fenómeno quase ao nível de Maradona. Titular indiscutível da selecção, chegou depressa à Europa para jogar no Barça de Van Gaal. Mas o holandês nunca percebeu o futebol de Riquelme: com as suas concepções militaristas, Van Gaal, quis fazer de Juan uma peça num sistema. Riquelme faria de Litmannen, o número 10 do Ajax de Van Gaal. Teria, pois, que correr como os outros, desgastar-se, defender, morder as canelas aos adversários. O ex-seleccionador argentino, Menotti, um intelectual da bola, ainda veio alertar para o risco desta standardização do futebol de Riquelme. Tentou explicar que Juan não é um jogador rápido nem nunca o será, que não é um médio de briga à boa maneira europeia, é um romântico, um artesão genial desde que jogue em liberdade. Van Gaal achou que não, que a equipa não pode ser construída em função de um jogador, mas que este é que se deve adaptar á equipa. Resultado: Riquelme foi um fracasso no Barça, foi assobiado constantemente pela afficcion e saiu a preço de saldo para o Villa Real. Aqui encontrou Pellegrini um treinador que lhe deu a liberdade que o seu futebol criativo necessita. Juan voltou a ser o vagabundo encantador que sempre foi no River Plate: faz passes milimétricos de 30 metros, esconde a bola como ninguém, parece que não anda mas quando vamos a ver está só com o guarda redes à frente. Ele é mágico: faz parecer que é fácil jogar futebol. Rapidamente regressou à actual e excelente selecção argentina, onde voltou a ser o líder maior. Estão a ver aquelas coisas impossíveis que o Zidane fazia com a bola nos eus melhores tempos? Riquelme é o jogador que mais se lhe assemelha, no estilo, na precisão, na criatividade.

Finalmente, no ataque está apenas o melhor goleador do campeonato espanhol deste ano, Dego Forlán, outro fracasso no Manchester, mas que, também ele, reencontrou nos amarelos o prazer do jogo. Forlán é um perigo e não sei como é que o vamos segurar. E ainda, last but not the least, Lucho Figueiroa, titular da azul celeste no último mundialito na Alemanha, onde se destacou como grande goleador. Uma vez embalado é, simplemente, imparável. Com Riquelme a servir é muito complicado evitar que chegue a bolas que lhe caem na frente como se tivessem sido lançadas com a mão.

Chega? Não. Ainda há aqueles suplentes todos de qualidade, como Josico (ou Tachinardi) Guayre, o canhoto, ex-barça, Roger ou Josi Mari. Qualquer um deles tinha lugar em qualquer equipa portuguesa, mas no Villa Real, por enquanto, só podem ser suplentes. E depois disto ainda me vêm falar no Manchester? Antes deste sorteio eu só pedia aos santinhos para não nos calhar o «Submarino Amarelo»…Tivemos azar. Mas em futebol não há vencedores antecipados e o Benfica tem as suas hipóteses. Quem sabe se desta vez os Vermelhos não afundam aquela que é, neste momento, uma das melhores equipas europeias. Seria uma pena, mas acho que o Villa vai ter que se aplicar com os ingleses do Manchester. Entretanto, como temos um adepto do Submarino Amarelo entre nós, o nosso basco, O Mau, já combinámos por telefone e vamos lá estar na Catedral: eu de cachecol vermelho e branco, ele, certamente, de «camiseta» amarela. Para mais inscrições é favor marcar lugar nos comments a este post.

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