29/09/05

Ainda e Sempre: Juan Rulfo, por Alquimista

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A Fórmula Secreta (excerto)
(…)
Embora saibamos bem
que nem ardendo em brasas
nos pegará a sorte.

Porém somos porfiados.
Talvez isto tenha conserto.
O mundo está inundado de gente como nós,
de muita gente como nós.
E alguém tem de ouvir-nos,
alguém e mais alguns,
ainda que neles rebentem ou ressaltem os nossos gritos.

Não é que sejamos soberbos,
nem que estejamos a pedir esmolas à lua.
Nem está no nosso caminho procurar depressa o casebre
Ou arrancar para o monte
De cada vez que nos anavalham os cães.

Alguém terá de nos ouvir.

Quando deixamos de grunhir como vespas num enxame,
ou nos tornamos cauda de remoinho
ou quando acabarmos por escorrer sobre a terra
como um relâmpago de mortos,
então
Talvez chegue a todos o remédio.
(…)

Excerto de poema de Juan Rulfo, escritor mexicano, retirado de “O Galo de Ouro e outros Textos Dispersos”, edição da Cavalo de Ferro, na qual se podem encontrar por aí também, o único romance de Rulfo, o “Pedro Páramo” e a colectânea de contos “A Planície Em Chamas”. São pequenos, baratos e imperdíveis. Duas Obras Primas.

Termino com um excerto delicioso do prefácio de Gabriel García Marquez, no “Galo de Ouro”:

(…)
“ – Leia isto, carago, para que aprenda!
Era Pedro Páramo.
Nessa noite não consegui adormecer enquanto não terminei a segunda leitura. Nunca, desde a noite tremenda em que li a Metamorfose de Kafka numa lúgubre pensão de estudantes em Bogotá – quase dez anos antes -, eu sofrera semelhante comoção. No dia seguinte, li A Planície Em Chamas e o assombro permaneceu intacto. (…) Durante o resto daquele ano não consegui ler nenhum outro autor, porque todos me pareciam menores.”

Rulfo, já antes tinha merecido um Post no Porco. Podem ver nos arquivos.

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