07/09/05

It´s Only Rock´n´Roll (but i like it), por Infamy

A questão mais estéril em relação a «eles» é a questão da idade. «Estão velhos!», dizem-me. «O Mick Jagger tem 62 e o Charlie Watts 64, têm idade para fazerem um mandato de Presidente da República de Portugal» (bom, ainda não estão assim tão velhos, ao fim e ao cabo).Mas que importa a idade deles? Não estamos a falar de uma corrida de 100 metros nem de um jogo de rugby. Falamos de música! Qual é o limite para se ser músico, ainda que de uma banda de Rock and Roll? Jagger não precisa de correr 20 km em cima de um palco nem de saltar como um cabrito endiabrado, como fazia nos anos 60. Basta que continue a cantar bem e a fazer o papel de óptimo performer. Que me importa se Richards já não bebe Bourbon em palco? Os rifs estão melhores que nunca…

As pessoas nunca estão contentes – lamentam-se porque Beethoven morreu aos trinta e tais e fazem contas às obras primas que nos ficou a dever; ficam muito sérias a pensar nos óptimos discos que os Beatles haveriamde ter feito se não se tivessem separado tragicamente cedo… Mas depois acham que os Stones, que são um exemplo de longevidade e de juventude apurada com o tempo («leva muito tempo aprender a ser jovem», dizia Picasso), já deviam ter parado de andar às voltas por esse mundo fora! Isto apesar de Chineses, Russos, Japoneses, Indianos, Argentinos, Brasileiros, etc, etc, reclamarem furiosamente as suas digressões.
Eu acho óptimo que eles continuem e, tirando as questões de imagem (é certo que ficavam muito melhor nas capas das Rolling Stone dos seventeens) não me incomoda nada a idade «deles». Desde Some Girls, ainda nos anos 80 que ouço os «jovens» a clamarem contra a arrastada velhice dos Stones. Esses «jovens», esses sim, envelheceram e os Stones ainda cá andam a tocar Rock and Roll. Mas imaginem que «eles» tinham dado ouvidos aos alcoviteiros de serviço e tinham fechado…
De Some Girls para cá, eles editaram, entre muitas outras pérolas que não me vêm agora à memória: Down in the Hole, She`s so cold, Emotional Rescue, Indian Girl, Start me Up (sim, start me up, um clássico, não chegaria a ver a luz do dia), Waiting on a friend, Too Much Blood, Almost hear you sight, Continental Drifting, Slipping away, You got me rocking, out of control, How can i stop… É certo que pelo meio fizeram nulidades como Dirty Work de 86, o pior álbum de toda a sua discografia, mas eu acho que nem que fosse apenas por uma só boa música, já tinha valido a pena tanta longevidade.

E depois não podemos esquecer os concertos. Os Stones sempre foram a melhor banda de sempre ao vivo. Foram ultrapassados pela primeira vez pelos Led Zeppellin, outra super banda de Rock. Mas foi pontual. As mega digressões de estádio dos anos 70 e 80 depressa vieram repor as coisas na sua ordem habitual. E a Licks Tour, a última da banda, foi a maior de todos os tempos, teve números records de audiência (500 mil – quinhentos mil - só em Toronto) e lucros nunca vistos. Como querem que «eles» parem? Os Stones estão no auge da sua carreira, se nos limitarmos aos números… E, que diabo, não podem ser só amigos de Alex, como eu, como nós aqui no Porco, a esgotar as digressões. Para dizer a verdade, nas quatro vezes que os vi ao vivo, estava lá gente de todas as idades, dos 7 aos 77 como o tintim. E ainda agora, a digressão de A Bigger Bang que começou em Bóston e decorre na América, está completamente lotada, até ao momento. Esqueçam os U2, os Stones estão aí para durar.

A Bigger Bang foi entusiasticamente recebido pela crítica norte-americana. Mesmo na Europa teve óptimas críticas e, aqui em Portugal, a malta do costume que, salvo excepções, não vê um boi do que está a escrever (o crítico do Público, por exemplo, dizia que Jumpin Jack Flash tinha surgido em Beggars Banquet e nem foi despedido nem nada…), até o comparou a Exile on Main Street. Sabendo-se que esse duplo de 72 é considerado pela crítica bem pensante como o melhor álbum da banda, percebe-se que isto é altamente elogioso. Eu ouvi o álbum e, de facto acho-o muito bom. Não é um sucedâneo de Exile, como dizem. Tem coisas próximas, é verdade, como o regresso, nalgumas músicas, aos Blues e ao R´n´r. Mas parece-me mais uma súmula dos vários discursos e estilos musicais dos Stones dos últimos anos: funky, as eternas baladas, rock e pop, blues, o álbum é muito eclético. De qualquer modo, se tivesse que comparar o som de A Bigger Bang com o que já ouvi nos discos anteriores, diria que está muito próximo das guitarradas esgalhadas de Some Girls. Rough Justice, a música de abertura, tem tudo para se tornar um clássico, com uma entrada típica, à Keith Richards. Confesso que comecei a ouvir aquilo calmamente para não chatear ninguém. Mas ao segundo riff já estava a saltar. Ouçam, A Bigger Bang bem alto, no máximo de preferência. Que se lixem os vizinhos!

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