08/10/05

Anti Top Cartaz Eleitoral 2005, por Olho Vivo

Outra pérola! Um tratado de contradições visuais. Como é que um cartaz que apela ao dinamismo («Portalegre não pode parar»), consegue recolher tantos elementos visuais contraditórios com o apelo do slogan? Os candidatos são fotografados num fundo em que predominam a pedra e as árvores, símbolos arcaicos da imobilidade. Mas pior que isso, eles próprios deixam-se fotografar numa pose inexpressiva e amorfa: os cinco homens têm todos as mãos à frente das partes baixas, devem ser todos tímidos, coitados, e as senhoras, uma está de mãos nos bolsos e a outra esconde-as atrás das costas. Esconder as mãos é a sugestão mais contrária ao dinamismo que pode haver . E todos tão parados, tão alinhadinhos… Têm a certeza que não são estátuas? E que querem mesmo que Portalegre não pare?

Este é o contrário doanterior. Tanta mão, as mãos tão presentes, parece que o senhor nos quer estrangular: está lá «consolidar a mudança», mas uma pessoa não consegue deixar de ler «se não votam em mim fodo-vos com estas que a terra há-de comer»! Um gajo fica com vontade de dizer tudo: «Ok confesso, fui eu que lhe andei a pintar o nariz de vermelho nos cartazes, sr. Vitorino, mas não me mate por favor».A imagem é ameaçadora, este homem mete medo, quando devia inspirar-nos confiança. E em mangas de camisa e tudo, fónix, não se metam com ele! Be afraid, be very afraid…



Insípido, inodoro e indolor. Mas é, pelo menos, coerente. O que é que se pode dizer de um senhor que se chama Hemetério, veste uma camisa cinzenta às riscas, tem um ar lavadinho, igualzinho a mais uns quantos milhões de anónimos portugueses, quer gerir o presente e preparar o futuro (faltou «respeitando o passado») e escolheu um fundo branco, insonso, como côr dominante pró cartaz? Nada. O cartaz diz tudo. O senhor Hemetério é funcionário da secretaria da 3ª repartição da terra e promete que, com ele, fica tudo na mesma…

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