26/10/05

E Para Terminar Em Beleza, Rousseau, por Sagrado Pulmão

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E.H. Gombrich é o autor da famosa obra “A História Da Arte”, obra de referência para muitos entendidos e estudiosos do ramo. Ao invés de Cornélia Stabenow, autora do volume da Taschen sobre o Henri Rousseau, Gombrich nada refere das “petits histoires” de Rousseau (a sua obra é de âmbito e interesse diferente também) e nada refere das dúvidas ou polémicas suscitadas pela obra do artista. E em dois parágrafos memoráveis despacha para a o Panteão da Eternidade o Aduaneiro. Leia-se que vale a pena:

“(…) Também foi essa mudança de gosto que levou os jovens pintores em Paris, no início do século XX, a descobrirem a arte de um pintor amador, um funcionário aduaneiro que levava uma vida tranquila e modesta nos subúrbios. Esse pintor, Henry Rousseau (1844-1910), provou-lhes que, longe de ser um caminho para a salvação, a formação do pintor profissional pode arruinar as suas oportunidades. Pois Rousseau nada sabia de desenho correcto, ignorava todos os truques do impressionismo. Pintava com cores simples e puras, com contornos nítidos, cada folha de uma árvore e cada hastezinha de relva num prado. E, no entanto, há nos seus quadros, por mais desgraciosos que possam parecer aos espíritos requintados, algo de tão vigoroso, simples e poético, que não pode deixar de se reconhecer nele um mestre.”
(…)
“A admiração por Rousseau e a maneira ingénua e autodidacta dos “pintores de domingo” levaram outros artistas a renunciar às complicadas teorias do expressionismo e do cubismo como um lastro desnecessário. Queriam ajustar-se ao ideal do “homem de rua” e pintar quadros claros e sóbrios, em que as folhas nas árvores e os sulcos nos campos lavrados pudessem ser contados um por um.”

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