31/10/05

Ginas, Parte 2, O Episódio Armandinho, por Rodox

O Armandinho era um rapaz magro, baixito, cabelo encaracolado e pose de menino da mamã, que era. Obviamente foi baptizado de Armandinho e era motivo de tal chacota pelas indumentárias que até metia dó. À mãe do Armandinho só lhe faltava obrigá-lo a vir pró liceu com fatito de marinheiro. Fora isso, o gajo vestia e obedecia, sem jamais lhe passar pela cabeça que o big brother não estava no liceu e que se ele quisesse podia andar com a fralda de fora.

A certa altura, o Armandinho vê-nos a trocar Ginas no bar e pede-me que lhas empreste. Fiquei na dúvida. Ó Armandinho, olha lá, não te desgraces, pá. Mas prontos, lá cedi emprestei ao engomadinho um maço de Ginas jeitoso.

Dois dias depois, no meio do corredor do liceu, o Armandinho logo no primeiro tempo vem ter comigo e de cabeça baixa e voz sussurrante, estende-me um embrulho de papel almaço, atado com cordel em nó de dupla orelha, e diz:
“ – Olha toma lá isto que minha mãe mandou para te entregar e ela diz que tem um bilhete lá dentro…”
“ – Tem o quê? Um bilhete? Mas o que é isto, ó Armandinho?”
“ – São as Ginas, pá, a minha mãe apanhou-mas…”

Lá abri o embrulho certinho de papel almaço, onde vinha o maço de Ginas embrulhado. Estavam todas e não faltava nenhuma, nem estavam danificadas. Ao cimo vinha um bilhetinho tipo cartão de apresentação com o nome da Senhora sua mãe, a morada e no verso e a caligrafia de luxo, lá vinha a mensagem: “Meu caro Senhor, agradeço-lhe que não mais volte a facultar ao meu filho este tipo de revistas, na certeza de que em contrário, saberei tomar as devidas providências penalizadoras.”

Até me caíram os tomates. “As devidas providências penalizadoras” Chiça! Passei meio dia de volta do dicionário e ainda hoje é uma frase que me mete medo. Percebi o temor e o terror do Armandinho. E não lhe voltei a emprestar Ginas. Nem Patinhas, quanto mais.

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