11/10/05

IDEIAS SEM FIM, por Indiota

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No princípio deste ano e numa rua onde passo diariamente, colocaram uns dizeres curiosos na parede de um rés-de-chão recém construído. A coisa, com ar de escritório sofisticado e aparelhos de ar condicionado a condizer, rezava assim: IDEIAS SEM FIM. Nem mais. Na parede perpendicular à rua, em letras de um palmo de altura e logo antes da entrada do dito escritório, o metal dourado em times new roman reluzia com o provocador e enigmático: IDEIAS SEM FIM. Assim mesmo, em maiúsculas e metal tipo patine, olha lá o luxo. Adivinhava coisa pensada, marketing de task force alto lá com ela.

Meses a fio, aquela frase intrigou-me e matutei ideias sem fim sobre o que raio era aquilo: uma firma de publicidade? consultores empresariais? mais um estaminé de festas e eventos? criadores de rendas e bordados? Fiquei sempre com o enigma e nunca o consegui esclarecer. É que aquilo além do IDEIAS SEM FIM, nada mais diz, nem telefone, nem Lda, nem serviços prestados. Nada, nada de nada. Só as ideias infindáveis numa provocação curiosa, mas certamente empresarial.

O enigma e a força da frase, deixava-me sempre com um sorriso na cara, de cada vez que a caminho de casa ali passava. Contudo, os corajosos empreendedores tiveram um galo. É que nas redondezas há um tasco que na altura da Queima regurgita de estudantada febril. E como é da praxe, a maltosa do fato morcego embicou naquilo e zás, afinfou-lhe. Mas afinfou-lhe com subtileza e génio a condizer. Limitou-se a arrancar o “S” do SEM. Ficou assim: IDEIAS EM FIM. O que dá um trocadilho admirável e até um duplo trocadilho, porque o passante ou se afirmava bem na coisa e via que faltava uma letra, ou lia uma frase diferente conforme o ângulo em que passasse. Sem o referido “S” e dada a posição da parede e do eventual leitor passante, aquilo tanto dava: IDEIAS EM FIM, como também IDEIAS EMFIM. Genial. Cada vez que ali passava vinha-me um sorriso aos lábios.

O “S” caiu em Abril ou Maio passado com a Queima da altura e o pessoal daquele escritório manteve aquilo assim todos estes meses, até que na semana passada lá conseguiram repor o “S”. Não sei se o “S” foi difícil de arranjar ou se gostaram da provocação, mas a coisa agora está reposta, e ali brilha de novo o enigmático e fortíssimo: IDEIAS SEM FIM. Eu nem quero investigar muito. Prefiro o enigma e a incógnita que me soltam a imaginação. E passo sorrindo e esperando pela próxima pulsão académica a ver que letra levam desta vez.

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