24/11/05

Mais Uma Grandessíssima Filha-Da-Putice, por Nem Pio

Relembremos. No final do seu mandato, o Cavaco já tinha tudo aprovado para avançar com uma Incineradora em Estarreja, para queima dos resíduos industriais perigosos. Tal unidade já estava inclusivé aprovada pela respectiva autarquia, que já tinha negociado as contrapartidas.

Veio o Guterres e fez tábua rasa daquilo tudo. A Secil e a Cimpor – que não o Governo -, criaram então a Scoreco que seria uma sociedade conjunta para propor ao Governo e fazer a Co-incineração. A dita Scoreco, relevou os aspectos de transportes e os aspectos económicos e uma vez que a esmagadora maioria dos resíduos industriais perigosos são produzidos em Sines, Barreiro e Lisboa, propôs que as melhores cimenteiras para Co-incinerar eram Outão e Alhandra.

O governo aceitou a proposta da Co-incineração, mas não gostou de Alhandra, olha se gostasse!, e vai daí arranca com a CCI (Comissão Científica de Investigação). A dita que, ao invés, se devia chamar CEI (Comissão Económica de Investigação) veio a estar-se nas tintas para a proximidade dos locais de produção da porcaria e proclamou que Souselas e Outão eram os melhores locais para Co-incinerar porque tinham Filtros de Mangas, logo os resíduos perigosos deviam passar a andar de comboio e trólei por esse rio acima.

Os Filtros de Mangas foram pagos pelo Governo às cimenteiras de Souselas e do Outão, pelo preço de 10 milhões de contos, quando já era conhecida a Directiva da EU que obrigava todas as cimenteiras a colocar tais filtros às suas expensas. Hoje, as seis cimenteiras nacionais têm Filtros de Mangas.

Julgar-se-ia assim que a coisa iria arrancar sem mais, até porque – ironia das ironias -, o dito socrático venceu com maioria em Souselas e em Coimbra e fez bandeira da Co-incineração durante a campanha. Contudo…

Contudo, há agora um problema. É que ao invés do que defendia a dita CCI, cerca de 40% a 50% dos resíduos a queimar, que eram os Solventes e os Óleos Usados, já estão desviados deste processo e estão a ser reciclados em unidades próprias já em funcionamento. Como se compreende este era o bolo com cereja, pelo qual salivavam as Cimenteiras. Sem este créme de la créme, as Cimentiras já torcem o nariz à coisa e não vão no fole sem mais!

E mais ainda, entretanto, já estão aprovados e em fase de arranque os dois CIRVER (Centros Integrados de Reciclagem Valorização e Eliminação de Resíduos) para a Chamusca e estes vão cortar mais uma boa fatia do bolito restante, tratando 85% a 90% dos resíduos industriais perigosos restantes. Sem isto tudo, o que resta para queimar é merdunça de difícil e complicada queima que só vai desestabilizar a temperatura nos fornos das cimenteiras. O que resta para queimar pouca ou nenhuma valorização energética tem e pela pequena quantidade não compensa.

Daí que as Cimenteiras agora não querem a coisa sem mais e daí que o Governo esteja a patinar no avanço da coisa. E o “sem mais” é precisamente pilim, carcanhol, massa, que o governo agora vai ter que pagar e bem, para a queima da coisa. Contudo, e ainda que pagando bem, a coisa a queimar é pouca para a despesa e o trabalho que dá, não compensando de certeza a sua queima em duas cimenteiras.

Daí a reavaliação, a volta da malfadada CCI e o concurso público. Deus queira que me engane, mas uma vez que não se podem prejudicar os animaizinhos da Arrábida – até porque a UE não gosta disso -, e uma vez que Souselas e Coimbra gostaram do Sócrates, restam-me poucas dúvidas que o restito da coisa vai directo para uma única cimenteira: Souselas. E nem teremos o consolo de um cerco às tropas do general Custer, nem o consolo de poder gritar Jerónimo! Nós os Índios, calamos e calaremos, até porque votámos nele.

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