24/11/05

O Hino, por Chino

Um dia destes o circo da bola veio a Coimbra. A selecção de todos nós, jogou no antigo Municipal com a Croácia e eu fui lá ver. Tive mais uma vez a oportunidade de me irritar sinceramente com uma das coisas mais idiotas que se podem ver em jogos de futebol: o momento em que toca o hino da Pátria e as pessoas se metem todas de pé, muito hirtas, uns até com a mão esquerda no coração, como se estivesse mesmo em causa a Honra da Nação. Mas não se convencem que vão ver um simples jogo de futebol e que não, aquilo não é uma questão de vida, nem de morte, nem de Pátria? É ridículo ver a multidão de velhos, novos, homens, mulheres e crianças a cantarem aos berros «às armas, às armas, contra os canhões, marchar, marchar»… Como é que é? Às armas? Marchar, marchar? A maior parte daquela gente, se realmente algum canhão se levantasse contra eles, tratava era de dar ao slide.

Por isso quando começa este momento de patetice colectiva, eu, simplesmente, recosto-me na cadeira e fico ali com ar de gozo, não sei se triste se alegre, a ver aqueles palermas todos a arrepiarem-se de bacoco orgulho pátrio. E há sempre um ou dois que me olham de lado para confirmar se eu sou mesmo português ou do outro lado dos canhões…

Pensava que era o único a pensar assim, mas hoje, ao ler a coluna da Leonor Pinhão na Bola vi que, afinal, há mais gente como eu. Como te compreendo, Leonor do Benfica, quando ficas «desconfortável» em presença de um tal espectáculo. Tens toda a razão, «istoé uma apropriação abusiva» ou «do hino pelo futebol ou do futebol pelo hino». E fizeste bem em lembrar que já há 20 anos, o grande jornalista brasileiro, João Saldanha, escreveu que:

«A FIFA tem de acabar com os hinos antes dos jogos porque só servem para exacerbar nacionalismos doentios com grande potencial para a redundar em violência. (…) Trata-se somente de um jogo de futebol»

A propósito, viram o Turquia X Suíça?

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