02/11/05

O Pauzinho, por Automotora

Não sei se o pessoal conhece aqueles pauzinhos de plástico com que se mexe o café de máquina automática. A máquina, até à parte que interessa, funciona, basicamente, da seguinte forma: coloca-se trinta cêntimos na ranhura, cai o copo e dentro deste mergulha o pauzinho, de pé ou de cabeça, não se percebe. Chamo-lhe pauzinho porque me faz lembrar o pauzinho de madeira dos gelados da minha infância (como já estou na idade dos cornetos, não sei de que são feitos os actuais pauzinhos). Por outro lado, chamar-lhe colher provoca-me angústias de semiótica, que sendo mais fáceis de suportar que as outras não deixam de ser pertinentes.

De qualquer forma acho boa ideia fazê-lo de plástico, pois fazer um pauzinho de plástico é salvar um galhinho da amazónia, tão útil para servir de poiso a pardais dos trópicos, espécie praticamente extinta precisamente por causa da produção desenfreada de pauzinhos de gelado em madeira. Em madeira, o pauzinho, claro.

Ora bem, o que eu queria mesmo dizer, porque não tenho mais assunto, é que espero entrar no guiness como maior coleccionador de pauzinhos de plástico de máquina de café. Como o actual livro de records ainda não tem a categoria, terão de criar uma nova entrada na próxima edição. E na seguinte vai haver concerteza uma categoria para a maior construção abstracta já criada com pauzinhos de plástico de máquina de café. Mais tarde ficarei imortalizado como o autor da mais inútil forma conhecida de ocupar o tempo, ainda mais inútil do que esta em que me ocupo agora. E, por fim, como vitima da maior depressão da história. Vou ser famoso custe o que custar, e com pauzinhos de plástico bem utilizados, ou, de preferência, mal utilizados, qualquer pessoa pode garantir pelo menos quinze minutos de fama. Pauzinhos ao alto!

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