15/11/05

O Vinagre, por Automotora

Em primeiro lugar, agradeço à malta ter sentido a minha falta. A verdade é que nestes dias pouco mais tenho feito do que investigar o vinagre, um projecto meu muito antigo. Espero assim, de algum modo, dar a minha contribuição para tão importante questão, recentemente, e em tão boa hora, suscitada pelo confrade Nini. Devo explicar que este meu estudo, do qual apresento a seguir um pequeno resumo, irá constituir o último capítulo da minha futura Opus Magnum "Origens do Estado, da Família e do Vinagre".

Aquele capitulo irá, por sua vez, ser dividido em cinco partes: 1. O que é o vinagre? 2. História do vinagre; 3. Costumes dos Povos no Uso do Vinagre; 4. Utilizações do Vinagre; 5. Apreciação sumária de alguns vinagres existentes no mercado. Vejamos então, resumidamente:

1. O que é o vinagre?: O vinagre obtêm-se a partir da levedação dos microorganismos contidos nas bactérias do ácido acético. É, portanto, um processo bioquímico, muito embora se revista de especiais características organolépticas, tendo em conta que na levedura entram diversas variáveis, das quais se salientam o açúcar e o álcool.

2. História do vinagre: O vinagre é muito antigo: segundo alguns autores a primeira referência ao vinagre surgiu com Hipócrates, o Pai da Medicina. Plínio e Aristóteles também o referiram. Não sei se sabem, mas em França no séc XIV, existia mesmo uma "Confraria de Vinagreiros", um dos "Grémios de Ofícios". Havia mesmo um título de Mestre Vinagreiro, atribuído ao profissional que fabricasse dentro desse género uma obra excepcional. Durante a guerra civil americana era utilizado para prevenir o escurbuto e tratamento de prisioneiros.

3. Usos e Costumes: Na região mediterrânica, a matéria prima do vinagre é, por excelência, o vinho. No Norte da Inglaterra, por sua vez, predomina o vinagre de malte, ao passo que no Sul desse país, onde se cultivam maçãs, o vinagre é produzido de cidra. Existem ainda registos, não inteiramente confirmados, de uma espécie de vinagre de tangerina nas montanhas da Anatólia.

4. Aplicações do vinagre:
a) receitas:
Frango em molho de vinagre (para quatro pessoas)
1 frango
4 colheres de azeite
4 colheres de sopa de vinagre de vinho tinto (aqui está ele!)
4 colheres de sopa de água
20 cebolinhos
sal e pimenta q.b.
Tempere o interior do frango com sal e pimenta. Em seguida ate-lhe as pernas e as asas. Aqueça o azeite numa caçarola e aloure o frango dos dois lados. Borrife com sal e pimenta. Pouco a pouco vá incorporando água e, muito cuidadosamente, a quantidade necessária de vinagre aquecido. Refogue as cebolas e junte-as. Deixe cozinhar durante 1 hora e 15 minutos até o frango estar macio. Aqueça uma travessa, corte o frango e coloque-o nela, guarnecido com as cebolinhas alouradas. Sirva o molho coado à parte. Curiosidades: antes de lavar verduras, especialmente bróculos, mergulhar em água com um pouco de sal e vinagre durante dez minutos. É curioso ver como os bichinhos e a sujidade subirão à tona, facilitando a limpeza. E mais: A batata não escurece se, ao ser cozida, adicionar vinagre à água.

b) Limpeza:
Vai bem na limpeza de tapetes, louças vidros e cristais, fornos, alumínio, talheres, inox, etc. Pode-se também substituir o amaciador de roupa por meio copo de vinagre na água.

c) Beleza:
Dá brilho aos cabelos, deixando-os ainda macios e sedosos. Ideal também para restituir às mãos a sua hidratação natural, depois de as ter mergulhado em produtos de limpeza fortes, cimento ou detergentes em pó.

d) Jardinagem e animais:
Uma colher de chá de vinagre por cada quarto de água do bebedouro ajuda o animal de estimação a ficar livre de pulgas e carraças. A medida recomendada é o indicado para um animal de 20 quilos. Outra: As flores permanecerão frescas durante mais tempo se à água adicionada forem acrescentadas duas colheres de sopa de vinagre e duas de açúcar.

5. Vinagres no mercado (uma amostra necessariamente curta):
a) Estrela de Prata - Fábrica de Vinagres de Alenquer: vinagre de vinho branco, suave, ideal para alface tenra e limpeza de peças delicadas de Companhia das Indias, Família Azul.
b) Princesa do Nabão, de José António & Filhos: vinagre de vinho tinto: mais acidulento que o anterior, vai bem com bacalhau à lagareiro e pode ser usado com eficácia na limpeza de fornos e remoção de odores de tabaco.
c) Luis Pato - Divisão Vinagres - Premium: um topo de gama, por ser feito de tintos das castas Pé Franco, Maria Antónia e Cochinillo, este da região de Huelva: o produtor, no rótulo (bastante completo, aliás) dá um conselho interessante: sugere ele que se mergulhem os puros Cohiba numa solução composta por duas partes deste vinagre e uma parte de Licor Beirão. Fica a sugestão.

d) Vinagretta degli Abruzzi, de Don Pipo & Fratelli: este é um vinagre italiano, de uma firma que desde há cinco séculos vem fornecendo o Vaticano: é um vinagre de vinhos seleccionados, adicionado de oregãos, um pouco de açafrão e um outro ingrediente que permanece secreto. O malogrado Damião de Góis já o recomendava na sua conhecida obra "Dos Benefícios do Vinagre na Saúde dos Povos e Outras Coisas que Aprendi Nesta Minha Tão Curta Vida".

É tudo por ora. Se não tiverem notícias minhas nos próximos, digamos, dez dias, estejam certos que estarei a desenvolver o assunto. Obrigado.

Sem comentários: