08/11/05

Ora isto, meus amigos, é inaceitável!, por Cottonete

Estava aqui a pensar num problema e gostava de ouvir a vossa opinião. Hoje fui comprar cottonetes. Na farmácia, a srª mostrou-me uma série delas. Várias cores, várias marcas, diferentes embalagens, das 50 às 500 unidades, umas de plástico oco, outras maciço, umas mais compridas, outras mais curtas, enfim, vocês não acreditam na diversidade disponível neste particular das cottonetes. foi então que tive uma ideia genial. Face a tanta diversidade, lembrei-me de perguntar à srª se não tinha só com algodão numa ponta. A srª ficou surpreendida e disse que não, «claro que não, as cottonetes têm algodão nas duas pontas».

No momento não liguei àquilo, comprei e pronto. Mas vim para casa a pensar: «por que é que as cottonettes têm algodão nas duas pontas e só há com algodão nas duas pontas?» Onde raio é que está a lógica? Mas «claro» porquê, caralho? Então e se eu só utilizar uma ponta? Comé que é? Ou guardo a cottonette com uma ponta suja e outra limpa, para que a ponta limpa seja usada em ocasião posterior, o que é uma porcaria, ou mando a cottonete fora, o que é um desperdício. Por isto mesmo, não é nada claro, é tudo menos claro. E se formos ao fundo da questão, podemos até supor que, inicialmente, as cottonetes seriam de uma só ponta algodoada. Sim, porque nestas coisas, contrariamente a outros domínios em que a evolução se faz do complexo para o simples, nestas coisas da tecnologia a mudança é orientada no sentido da progressiva sofisticação. Vejam o caso dos telemóveis, p. ex. São cada vez mais sofisticados, mais complexos, com mais funções, etc. ou as tv's, ou as hi-fis, etc. etc. Ora, eu creio que as cottonetes se encontram neste grupo, portanto, procedendo a uma tipologia das cottonetes há que aceitar que as de uma ponta são cronologicamente mais antigas, porque menos sofisticadas, do que as cottonetes de duas pontas algodoadas. É até crível que as de duas pontas tenham surgido como uma novidade, obtendo-se assim a vantagem de poupar material, evitar desperdício e aproveitar todas as extremidades do palitinho da cottonette. sairia mais barato uma vez que cada cottonette podia ser usada duas vezes, em lugar de uma só.

Ora, para rematar, não deixa de ser curioso, irónico e paradoxal, que a inovação que teve por móbil a poupança e que determinou a emergência, e a hegemonia, da cottonette de duas pontas, seja agora encarada não como uma forma de poupança mas de desperdício. isto no caso de eu, no pleno uso da minha liberdade, só quiser usar a cottonete uma vez. A segunda vez, se repararem bem, é um gesto ditado apenas pela disponibilidade da outra ponta virgem e não exactamente pela necessidade de um segundo acto de limpeza. É uma verdadeira ditadura da cottonete. se eu já estou limpo, por que raio é que hei-de proceder a uma segunda limpeza só porque a puta da cottonete exibe mais outra ponta algodoada? Hein? Por isso, eu mando fora a cottonete só com uma ponta usada. E aqui, meus amigos, é que está o busilis da questão. É o desperdício de dinheiro e algodão. Tanto mais grave porquanto a cottonete dupla nos foi dada como forma de poupança e se revela afinal uma forma de desperdício! E o pior é que não há alternativa no mercado. As cottonetes são todas duplas! Ora isto, meus amigos, é inaceitável!

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