21/12/05

Fábulas Porcinas, por Sopapo

Diogo apareceu um dia, era ainda bebé, na varanda da família Watson. O pequeno Jimmy Watson depressa o adoptou para não mais o largar.

- Vai chamar-se Diogo, disse. E assim ficou.
Mister Watson, o patriarca da família, impôs desde logo uma condição para adoptarem o gato:
- Pode ficar, desde que não entre em casa.

Todos concordaram, miss Watson e o pequeno Jimmy. No fundo toda a família, até mister Watson, gostava do bicho e, assim como assim, desde que ficasse à varanda e não lhes conspurcasse a casa quentinha…
Diogo bem tentou, mas nunca conseguiu conquistar o direito de entrar em casa da família Watson. Vivia na varanda. E teve que suportar um Inverno inteiro ao frio, à chuva e ao alcance das garras cruéis dos outros gatos.

Até que um dia, não, dois, o Diogo desapareceu e os Watson ficaram tristes. Miss Watson vinha para a varanda chamar por ele. O pequeno Jimmy não aguentou e na segunda noite desatou a chorar. Até Mr Watson, que não quis dar o braço a torcer, sentiu a falta do gato.

Dois dias e duas noites depois, o Diogo apareceu, como sempre, na varanda da família. Os Watson ficaram muito contentes – Jimmy chorava de novo, só que, desta vez, de alegria, miss Watson ficou feliz com a felicidade do filho e Mr. Watson fez de conta que o gato não lhe tinha entrado em casa. Ficaram todos tão felizes que trouxeram o Diogo para dentro de casa e ele pôde assim conhecer coisas que nunca imaginara existirem: um óptimo sofá onde podia afiar as garras, uma cama quentinha e fofa, os aquecedores miraculosos… E assim provou o inocente Diogo, involuntário mestre em gestão de afectos que, às vezes, a melhor maneira de sermos desejados é desaparecermos por uns tempos e ameaçarmos que não voltamos.

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