30/12/05

O fascínio pelas putas vol. II, por Tapornumporco e Clientes

Há algum tempo atrás o Derviche publicou aqui um post em que se admirava com o facto estranho de haver tantas putas de estrada, digamos de Coimbra a Viseu, para não ir mais longe. E mais se admirava por serem tão gordas, tão feias, tão disformes, enfim, por serem os antípodas do que se pode chamar «gajas boazonas». Admirado, perguntava, então, o Derviche: onde reside o fascínio das putas? A única coisa que estas mulheres podem ter de excitante – vá-se lá saber pra quem mas há doidinhos pra tudo – é serem putas. E como há tantas pelos IPs deste país e dos outros, a questão impõe-se mesmo: onde reside o fascínio das putas?

Na altura os comments desse post foram interessantes e eu guardei-os. Uso-os agora em forma de post. Como não posso pedir autorização a todos os que escreveram na altura, uso pseudónimos falsos para todos de modo a que não se possa identificar ninguém que aqui tenha escrito nessa altura. Desculpem lá o mau jeito, mas vale a pena…

Respondeu o Mungo:
Os homens têm ingenuamente enfiada na cabeça a teoria de que as "putas" sabem fazer números especiais que as "outras" desconhecem. E alguns chegam mesmo a acreditar nisso. É tão giro! (Mungo)

E o K7 atacou:
Talvez tenhas razão, Mungo, os homens acham mesmo isso. Com uma puta o homem está livre do fardo - se é que é um fardo - de ter de agradar à companheira da relação. Limita-se a ter prazer e serve-se dela, independentemente dos desejos dela. Não tem que se maçar com orgasmo da puta, se ela tem prazer ou não. Ela está ali para o servir, não tem que achar que um broche é nojento ou deixa de o ser. É paga, fá-lo. That´s it. As putas descomplicam o sexo, reduzem-no ao instante em que ele se pratica. (K7)

O Meninos preferiu o registo Explorador Brave New World:
Eu já fui a uma casa de meninas! Fui pelo fascínio da coisa, quer dizer, do ambiente, do habitat, enfim, uma espécie de David Attenborough dos tempos modernos (se é que as prostitutas são uma criação moderna). Não tenho jeito para metáforas, mas descrever o que vi é como ir a um arraial e ver vários frangos a assar num enorme grelhador. Infelizmente, os frangos são pessoas, e a carne é humana.
Como imaginam, o fascínio resultou em algumas náuseas, é que os frangos (leia-se mulheres) tinham clientes. Homens sós? Homens sujos? Homens incultos?
(Meninos).
O Pyros desenvolveu uma verdadeira doutrina:
O que procuram os homens? Os homens procuram a aura de puta... O que os camafeus de estrada têm junto de certos clientes é aura. Aura de putas. É isso que lhes trás mercado. Não é o facto de serem boas nem belas - só por ironia - mas o facto de serem putas. É secundário que sejam boas ou belas. É fundamental, sim, que sejam putas. É por isso que elas podem ser monstruosas, mas o potencial do termo «puta» é poderoso. As putas têm realmente aura e, para os homens, isso é boé de importante. Vejam o marco paulo: «uma lady na mesa; uma louca na cama». O rapaz sabe o que diz...
Não aceito a tese tradicional acerca da animalidade dos homens e da «espiritualidade» das mulheres. Tipo, as mulheres querem afecto, os homens , essas bestas, só querem vazar os colhões… Isso é tanga, até porque também há mulheres clientes de prostitutos e não são propriamente as anormais da companhia. O fascínio das putas não tem a ver com a animalidade dos homens. Esse fascínio é mais cultural que animal e tem a ver com a aura.
Melhor ainda: a puta não tem passado nem futuro. é só presente. Os homens não querem ficar sujeitos à «relação» e com a puta estão à vontade nesse aspecto. Conheço um gajo que diz que «o dificil não é meter uma gaja na cama, mas sim tirá-la de lá». Pois bem, com a puta isto está resolvido à partida.
(Pyros) O CGTP deu a explicação sociológico-política que faltava:
Sobre a apetência que os mânfios lusitanos têm manifestado pelas meninas/senhoras/avós da estrada ou do alterne, tal só poderá dever-se à influência perniciosa da Nª Srª de Fátima sobre a alma deste povo composto de sacristões pervertidos, em que as mulheres são educadas para pouco mais do que passar a ferro e abrir as pernas e os mânfios são supostos ir à procura do que n/existe nas casas da luz vermelha...
Não voltes Salazar...

E o Mozart, com grande poder de síntese, disse muita coisa ao dizer isto:
Ok. Já percebi. É o princípio do "aquilo que se paga com dinheiro é o que nos fica mais barato..." O nosso jotex preferiu o registo neo-realista, feios, porcos e maus:
Acho que o tema é ao mesmo tempo muito interessante e não é. Não é, porque os camionistas não têm fascínio nenhum por putas. Gostam de broches e de aliviar os tomates ao fim de milhares de quilómetros a aquecê-los em cima dum motor trepidante. Fascínio têm pelo São Cristóvão e pelo Benfica. E provavelmente têm em casa uma esposa que não faz broches porque leu na maria que se engravida pela garganta. No resto, concordo com o mister e acrescento que muitos homens terão muitas motivações muito diferentes, e as muitas das vezes têm naturezas tão básicas e tão pouco fascinantes como as dos camionistas. (Jotex)

Também apareceu a Death com explicação psicanalista:
Um homem vê na prostituta o contrário da mãe e, por paradoxal que pareça - via complexo de Édipo-, transforma a ideia da prostituta numa espécie da mãe sempre disponível (a disponibilidade total é algo de maternal).
Pervertido? Nem por isso.
A Death tem razão, se bem a entendo (está menos clara que habitualmente). Mas cuidado com a "disponibilidade". A disponibilidade "maternal" é a das alternadeiras. Sorrisos, toques, conversa, compreensão, alto astral. As casas de alterne são casas de órfãos. A prostituição, hoje em dia (não falo já dos antigos "marinheiros desembarcados") é, pelo contrário, movida pelo ódio. Uma vez disse-me uma mulher que sabia dessas coisas que a quantidade de clientes que não quer que elas digam sequer "está frio" é impressionante. Refiro-me às nuas e cruas, as "de estrada".

E finalmente a Ju, que acha que estas coisas não são para serem discutidas em blogs de gente séria, disse:
Porcos!

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