23/01/06

O Coiso Que Mexe Com Fios, por Cunstantino, Guardador de Revaños

Estava num exercício condizente com a qualidade dos nossos conteúdos televisivos— portanto a fazer zapping— quando me deparo com uma entrevista singular! Reparo no ar incrédulo do entrevistador que, atónito, tentava compreender o que uma senhora lhe tentava transmitir, a saber, que qualquer electricista (ou congénere) não tinha alguma premência de disciplinas como português ou filosofia no seu currículo escolar, porque o que se pretendia era que ele fosse um excelente electricista!

Tentando disfarçar a estupefacção, o bom do jornalista lá ia dizendo “mas, minha senhora, o electricista é um cidadão, um chefe de família, um pai, uma pessoa. E, talvez, de vez em quando pudesse citar alguma poesia” (E, aí, declamou uma estrofe dos Lusíadas). Sem perder a compostura, que não a razão, a dita senhora responde “de cátedra”: “mas afinal, o que é mais importante: um bom poeta e um mau electricista, ou o contrário?”

O jornalista pensou que se tivesse esquecido de tomar os comprimidos e, para não se perturbar ainda mais, acabou a entrevista. Pensei: ora bem, lá tenho que dispensar uns minutos falando desta entrevista, para ver se minoro os seus efeitos catastróficos. Bom, se o vou fazer, deixa lá ver quem é a entrevistada (não deve ser alguém com grande responsabilidade, mas enfim, tenho de saber quem é). Olho, então, com mais atenção e vejo… que era a Ministra da Educação!

P.S. : Não vos roubo mais tempo: é só para dizer que já fui ao médico, telefonei ao jornalista, e já ando a tomar os comprimidos.

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