17/01/06

O Porta-Voz e o Fuga-em-Frente, por Crash

Hoje a campanha eleitoral teve mais um episódio hilariante. Mário Soares que parece apostado na corrida ao título Benny Hill do ano, revelou, em primeiríssima mão aos trabalhadores dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo a posição do Executivo sobre o futuro da empresa. Que um candidato a Presidente da República, ainda que apoiado pelo Partido do Governo decida fazer de porta-voz desse mesmo Governo é, já por si, suficientemente bizarro para nos desmancharmos todos a rir.

Mas que a seguir o primeiro ministro se apresse a negar que o candidato não foi porta-voz do governo é hilariante porque nega uma evidência que salta aos olhos. Segundo o sócrates, Soares apenas se limitou a telefonar a um membro do governo que o esclareceu sobre a posição do executivo, «como é, aliás, seu dever», para depois o candidato Benny Hill a transmitir em primeira mão. O governo, acrescentou sócrates sem se desmanchar a rir, apenas fez o seu dever e deu uma informação a quem teve o cuidado de telefonar, como daria a qualquer um dos outros!

Como? Importa-se repetir? O infeliz primeiro-ministro é incapaz de reconhecer um erro e usa e abusa da fuga em frente, mesmo quando as suas justificações, como é o caso, se revelam mais desajeitadas e aldrabonas que as do Pinóquio a mentir ao Gepeto. Mr. Maioria Absoluta continua a tratar-nos como burros. E aos outros candidatos presidenciais, também. Era giro, era mesmo um novo patamar na nossa original democracia e dispensavam-se os exércitos de dispendiosos assessores e assessoras dos governos para a comunicação social, se os candidatos passassem a anunciar as medidas dos governos.

Eu, se fosse o Jerónimo, o Louçã, o Alegre, o Pereira e o Cavaco, passava os próximos dias a telefonar para os membros do governo para que eles, «como é seu dever», nos esclarecessem acerca das mais variadas matérias. Não que as promessas deste governo valham mais que um mísero tostão furado, como sabemos. Só para chatear, não gosto que me tomem por lorpa…

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